Líderes separatistas catalães pegam suas credenciais de euro-deputados

Ex-presidente catalão Carles Puigdemont (centro) e seu ex-secretário de Saúde Toni Comín

O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, e o ex-secretário da Saúde Toni Comín, eleitos eurodeputados em maio, buscaram suas credenciais nesta sexta-feira em Bruxelas e poderão ocupar seu cargo a partir de janeiro, segundo um jornalista da AFP.

"É um dia de alegria, não apenas para nós, mas para todas as pessoas que acreditam em uma Europa fundada na vontade de seus cidadãos ... Isso é prova de que lutar por isso vale a pena", disse Puigdemont, ao deixar o Parlamento, falando em francês e orgulhosamente mostrando à imprensa sua credencial.

Na quinta-feira, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) proferiu uma decisão sobre a imunidade parlamentar de outro líder da independência, Oriol Junqueras, também eleito eurodeputado, que indiretamente abriu as portas da Eurocâmara a Puigdemont e Comín.

O TJUE considerou que Junqueras tinha imunidade como deputado eleito e precisava receber autorização para deixar a cadeia, onde estava então em prisão preventiva, para cumprir os procedimentos para se tornar eurodeputado.

Puigdemont e Comín também não poderiam assumir suas posições por não jurarem a Constituição espanhola em Madri, conforme exigido pelas autoridades eleitorais deste país.

O TJEU considerou na quinta-feira em sua decisão que esses tipos de procedimentos eram desnecessários para tomar posse e se beneficiar da imunidade, de modo que o chefe da Câmara Europeia, David Sassoli, ordenou que seus serviços avaliassem "o quanto antes o efeitos desta frase".

Em Puigdemont e Comín pesa uma ordem de extradição emitida pela Espanha para a Bélgica pela tentativa de secessão de outubro de 2017.