Líderes do Sudão do Sul se comprometem a formar governo de unidade

Salva Kiir (C), Riek Machar (D) e Mohamed Hamdan Daglo

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder rebelde Riek Machar, prometeram nesta terça-feira (17) formar um governo de unidade nacional antes do final de fevereiro, dentro do prazo de 100 dias concedido pelos líderes africanos.

Desde a assinatura de um acordo de paz em setembro de 2018, a luta diminuiu significativamente no Sudão do Sul, mas Salva Kiir e seu ex-vice-presidente Riek Machar falharam em materializar certos dispositivos cruciais do acordo, incluindo a criação de um Exército unificado, o desenho das fronteiras e o número de estados regionais, nos quais o país será subdividido.

Nesse contexto, a formação de um governo de unidade nacional, inicialmente previsto para maio, foi adiada pela primeira vez para 12 de novembro. Na sequência, um novo período de 100 dias foi concedido durante uma reunião em Uganda.

"Dissemos a nós mesmos que deveríamos formar o governo nos 100 dias", disse Kiir, após se reunir em Juba com Riek Machar, que, no entanto, enfatizou que a questão do número de estados regionais ainda não havia sido resolvida.

Machar, que vive exilado em Cartum, disse que as partes negociadoras aguardam um relatório do vice-presidente sul-africano David Mabuza antes de avançar nessa questão.

Kiir esclareceu que, se o problema do número de estados regionais não for resolvido no momento da formação do governo, a responsabilidade de encontrar uma solução recai sobre as novas autoridades.

Ambos os líderes, cuja rivalidade é a origem do conflito no Sudão do Sul, chegaram a um acordo sobre a integração das forças dos dois campos em um Exército unificado.

"Queremos começar a treinar as várias forças de segurança em uma, ou duas semanas", disse Machar.

O Sudão do Sul mergulhou em uma guerra civil em 2013, dois anos após sua independência do Sudão, quando Kiir, da etnia Dinka, acusou Machar, seu ex-vice, membro do grupo étnico Nuer, de promover um golpe de Estado.

O conflito custou a vida de mais de 380.000 pessoas.