López Obrador defende plano econômico por coronavírus com tuíte do papa

Foto da Presidência do México do presidente Andrés Manuel López Obrador no Palácio Nacional, Cidade do México, 5 de abril de 2020

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, recorreu nesta terça-feira (7) às palavras do papa Francisco para defender seu plano econômico contra a pandemia do novo coronavírus após as duras críticas que tem recebido.

"Seremos julgados segundo nossa relação com os pobres", disse o presidente durante a sua habitual coletiva de imprensa, ao ler um tuíte do papa Francisco, publicado na segunda-feira.

"Quando Jesus diz 'os pobres sempre os tendes convosco', disse 'eu sempre estarei com vocês nos pobres, presente neles'. Esse é o centro do Evangelho, e seremos julgados por isso", disse ao ler a mensagem do pontífice.

O presidente respondeu assim às críticas de um empresário, que preferiu não nomear, e que ressaltou que o plano econômico de seu governo apenas se preocupa com os pobres.

"Então, por que primeiro os pobres? Por humanidade, solidariedade, mas também no caso dos que acreditam, porque essa é a essência do Evangelho", disse o presidente.

"Não é que estejamos abandonando os que têm mais condições econômicas, é que temos que dar preferência aos mais necessitados", acrescentou.

O plano econômico apresentado por López Obrador no último domingo aposta em mais austeridade e programas sociais, além de alguns projetos de infraestrutura emblemáticos do seu governo.

A estratégia foi severamente criticada pelo setor privado, que sugere que deveriam apostar em incentivos fiscais para enfrentar a queda esperada na economia mexicana, que é de cerca de 4% durante 2020.

Não é a primeira vez que López Obrador faz declarações com alusões religiosas frente à tradição laica mexicana, que estabelece uma forte separação entre a Igreja e o Estado.

Semanas atrás mostrou amuletos que, segundo explicou, usa como proteção. "Detenha-se, inimigo, que o coração de Jesus está comigo", disse, ao mostrá-los à imprensa.

No último ano, declarou-se um "seguidor de Jesus Cristo" e se aproximou das igrejas evangélicas para que distribuíssem a chamada "cartilha moral", um guia sobre ética e bons costumes, adotada por seu governo a partir de um texto do intelectual mexicano Alfonso Reyes.