López Obrador promete 'zero impunidade' por vítimas da Guerra Suja do México

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, prometeu nesta quarta-feira (22) o reconhecimento tanto de civis quanto de militares vitimados durante a chamada Guerra Suja, quando o Estado cometeu crimes como tortura, desaparecimentos e execuções, entre 1965 e 1990.

"Essa é a instrução: que não escondamos nada, absolutamente zero impunidade", declarou o presidente de esquerda durante a cerimônia de início das atividades da Comissão da Verdade que buscará esclarecer os abusos cometidos nessa época pelo Exército e outros órgãos de segurança.

Naqueles anos, o então hegemônico Partido Revolucionário Institucional (PRI) exerceu o poder com mão de ferro e reprimiu violentamente grupos guerrilheiros, estudantis e sindicais, com práticas que violavam direitos humanos, como tortura, sequestro, execução extrajudicial e desaparecimento forçado.

"Desta forma, honramos a memória daqueles que perderam suas vidas, daqueles que foram à nossa frente e que lutaram por um ideal ou em cumprimento de um dever", acrescentou López Obrador.

A inclusão dos militares que morreram em ações ocorridas na época em um mecanismo de reconciliação, além de um monumento comemorativo, foi anunciada pelo secretário de Defesa, general Luis Cresencio Sandoval, gerando protestos entre os familiares das vítimas civis.

"Com orgulho, anuncio a vocês que o próprio presidente autorizou a inscrição dos nomes dos militares que morreram como resultado de eventos do passado no monumento aos mortos das forças armadas", disse Sandoval.

Imediatamente, gritos como "Vivos os levaram, vivos nós os queremos!" e "Nem perdão, nem esquecimento!" ecoaram pelo local da cerimônia, abafando a voz de Sandoval.

Ele reconheceu que algumas ações militares durante esse período "se afastaram dos princípios de legalidade e humanidade", mas insistiu que historicamente as forças armadas "permaneceram subordinadas" ao presidente, seu comandante máximo segundo a Constituição.

Micaela Cabañas, filha do líder guerrilheiro Lucio Cabañas - executado pelos militares em 1974 -, foi uma das oradoras do evento, realizado em um acampamento militar no estado do México, que serviu como principal centro de detenção extrajudicial e comando de grupos repressivos do Estado mexicano.

Ela lembrou que foi prisioneira nessas instalações quando tinha apenas dois meses de idade, enquanto sua mãe era "torturada, estuprada e desonrada".

"Nada vai pagar por tudo que passamos e tudo que sofremos nesses locais", afirmou Cabañas.

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