LAAC 2023: brasileiro é grande favorito e pode dar título inédito para o país no torneio de golfe

O último dia de treinamento antes da estreia dos 108 competidores no Latin America Amateur Championship (LAAC) 2023 foi marcado por um dia quente, mas com chuva no início da tarde. A alternância pode ajudar os atletas de 28 países diferentes a se adaptarem as mais diversas condições climáticas que podem acontecer no Grand Reserve Golf Clube até domingo, quando será conhecido o grande campeão.

Na última edição, na República Dominicana, em 2022, Aaron Jarvis, das Ilhas Cayman, que tinha apenas 19 anos, saiu com o título e as consequentes para o Masters (Estados Unidos) e para o The Open, dois dos quatro Majors, os principais torneios de golfe profissional do mundo — o vice-campeão ganha a chance de participar da fase final de classificação para os dois campeonatos. Agora com 20, Jarvis já sabe o que precisa fazer para sair de Porto Rico com o bicampeonato.

— O percurso é bom. É um pouco mais difícil quando venta, mas não tem nenhum lugar louco em torno da grama. Tenho que ter uma boa atitude, jogar meu jogo e não cometer grandes erros. Acho que tenho que ter muita paciência essa semana. São longos quatro dias. Não dá para ganhar no primeiro dia. Tenho que manter meu plano de jogo nos quatro dias e aproveitar e me divertir enquanto sou o atual campeão — falou o atual campeão, que também tem bem traçados os planos para o futuro como golfista e até mesmo cidadão. —Quero focar na universidade e terminá-la. Pegar meu diploma, estou estudando hospitalidade. A partir disso, quero melhorar meu jogo e começar minha carreira profissional depois.

Quem também atua no circuito universitário é o brasileiro Fred Biondi. Golfista da Universidade da Flórida, Biondi foi o vice-campeão do LAAC do ano passado. Além disso, aos 22 anos, é o jogador mais bem rankeado no ranking mundial amador entre todos os competidores do torneio. Mesmo assim, o brasileiro faz questão de afastar a pressão que pode rodear seu desempenho nesta edição.

— São 72 buracos. Tem muito tempo de torneio, muitos jogadores que joguei na Universidade e em torneios pela América do Sul. Tem as expectativas e pressões de fora, com certeza, tem a mídia e as pessoas, mas não podemos deixar isso nos impactar. Só tento me sentir bem sereno e ter certeza de que farei as coisas dentro do meu processo. Sei que o torneio significa muito, mas só penso na próxima tacada — enfatizou Biondi.

Título pode expandir modalidade no país

Um dos grandes favoritos para vencer o torneio, Fred Biondi começou no golfe cedo, aos três anos. Mesmo que o Brasil não tenha tanta tradição na modalidade, o jovem se destacou em campeonatos regionais e nacionais, o que o possibilitou ir para os Estados Unidos, para jogar pela universidade, e conseguir contratos com grandes marcas esportivas. Há a expectativa por parte do estafe do brasileiro, inclusive, que Biondi consiga se tornar um jogador profissional de golfe em maio de 2023.

Ao todo, além de Fred Biondi, o Brasil está representado por oito golfistas. São eles Andrey Xavier, Guilherme Grinberg, Homero de Toledo, Lucas Park, Marcos Negrini, Matheus Balestrin e Thomas Choi. As vagas foram distribuídas pela Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe), a partir de convite do Masters Tournament, The R&A e da United States Golf Association (USGA) com base na classificação no ranking mundial amador.

Em todas as outras sete edições, o Brasil, além de nunca ter sediado o LAAC, nunca teve um jogador campeão — Biondi, com o vice-campeonato, foi o que chegou mais longe. Com isso, a vitória de um brasileiro em Porto Rico pode dar ao país, mais do que um título inédito, uma boa oportunidade para fortalecer a modalidade.

— O golfe continua bem pequeno no Brasil, não é muito conhecido. É difícil para as pessoas terem acesso a modalidade, aos percursos, aos clubes. Sei que muitas pessoas fazem grandes coisas lá no Brasil. Muitos deles jogam no meu clube quando estou lá. Tem projetos de amigos que jogam comigo para envolver a comunidade, crianças, melhorar os percursos e ter jogos. Continua um esporte difícil de crescer, (mas) eu adoraria ajudar como puder — concluiu Fred Biondi.

*O repórter viaja a convite da organização