Laboratório chinês Sinovac e Butantan descartam relação entre morte e vacina

Extra, com agências
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Foto: SILVIO AVILA / AFP
Foto: SILVIO AVILA / AFP

PEQUIM - O laboratório chinês Sinovac Biotech afirmou nesta terça-feira que tem confiança na segurança de sua vacina experimental contra a Covid-19, a CoronaVac, depois da suspensão pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) do teste clínico no Brasil devido a um "incidente grave".

"Estamos confiantes na segurança da vacina", afirmou a Sinovac em um comunicado, no qual destaca que o incidente em questão não tinha "relação" com a vacina, desenvolvida em parceria entre a Sinovac e o Instituto Butantan.

A Anvisa anunciou na noite de segunda-feira a suspensão dos testes clínicos da vacina CoronaVac após um "evento adverso grave" envolvendo um voluntário, ocorrido em 29 de outubro.

Em nota, o Butantan informou que "foi surpreendido" pela decisão. Em entrevista à TV Cultura, o diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que a Anvisa foi notificada de um óbito não relacionado com a vacina. Ele negou que a morte possa ser classificada como um evento adverso. "Como são mais de 10 mil voluntários neste momento, pode acontecer um óbito", afirmou. "Ocorreu um óbito, que não tem relação com a vacina. Portanto, não existe nenhum motivo para interrupção do estudo clínico"

Os testes da vacina da Sinovac estão na terceira e última fase. Voluntários que já foram injetados continuarão sendo acompanhados pela equipe de pesquisadores.

O contratempo com a CoronaVac aconteceu no mesmo dia em que o grupo farmacêutico americano Pfizer anunciou que sua vacina contra a Covid-19 tem 90% de efetividade. O governo russo também informou resultados idênticos para sua Sputnik V.

As vacinas da Pfizer e da Sinovac estão na fase 3 dos testes, a última antes de obter ou não a aprovação das autoridades reguladoras. As duas estão sendo testadas no Brasil, o país com o segundo maior número de mortos por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 162.000 vítimas fatais.

A suspensão acontece em meio à disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria (PSDB). O governo de São Paulo firmou acordo para a compra de 46 milhões de doses e para a produção do imunizante no Brasil por meio do Instituto Butantan. Em outubro, o presidente chegou a dizer que o governo federal não compraria a vacina desenvolvida em parceria com a China nem que ela fosse aprovada pela Anvisa. Dias depois, Bolsonaro mudou de ideia e admitiu que o governo poderia adquirir doses da vacina.