Laboratório identifica primeiro caso brasileiro da XBB.1.5, a variante mais transmissível da Covid-19

A rede de saúde integrada Dasa informou nesta quinta-feira que identificou o primeiro caso de paciente infectado com a subvariante da Ômicron XBB.1.5 no Brasil. Trata-se da versão mais transmissível da Covid-19 conhecida até agora, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e que já representa cerca de 40% dos casos de coronavírus nos Estados Unidos.

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A subvariante foi identificada em uma mulher, de 54 anos, moradora de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Segundo José Eduardo Levi, virologista da Dasa, foi o único caso detectado entre as 1,6 mil amostras sequenciadas pela rede de saúde integrada no mês de novembro de 2022.

— Dentre as amostras que sequenciamos, encontramos 33 casos de variante XBB, mas só um era da XBB.1.5 — diz o virologista. — Essa subvariante tem sido apontada como a mais transmissível de todas e é bastante eficiente em escapar dos anticorpos, seja por resposta imune ou por vacina.

Segundo Levi, a subvariante pode ter sido "importada ou autóctone". Mas com certeza não é evolução convergente, ou seja, que se desenvolveu aqui, no Brasil. O especialista afirma, ainda, que há "evidências indiretas" de que, atualmente, de 20% a 30% dos casos de Covid-19 ocorridos no fim de dezembro e no começo de janeiro são da variante XBB. É possível, diz ele, que haja um percentual maior da XBB.1.5, mas a informação precisa ser comprovada por sequenciamento.

— Em termos clínicos, não é algo preocupante. Não é uma doença diferente, e nos lugares onde ela está expandindo, a gente não vê um aumento do número total de casos. Portanto, não está causando uma nova onda ou gerando um aumento desproporcional de internações, hospitalizações e mortes.

Mais transmissível

A XBB.1.5 tem se tornado predominante nos EUA. Hoje, a subvariante já representa 40,5% dos casos no país, segundo a última atualização do monitoramento realizado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). No Brasil, as versões BQ.1 e BQ.1.1 da Ômicron são predominantes atualmente.

Em coletiva de imprensa nesta quarta, a epidemiologista-chefe da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que a XBB.1.5 é a versão mais transmissível da Covid-19 identificada até agora. A linhagem já foi registrada em 29 países, mas pode estar circulando em mais lugares sem ter sido detectada devido à redução no sequenciamento de amostras do novo coronavírus, diz a especialista.

— É a subvariante mais transmissível já detectada até agora. A razão para isso são as mutações que estão dentro dessa subvariante da Ômicron, permitindo a esse vírus aderir à célula e se replicar facilmente. Estamos preocupados com a sua vantagem de crescimento, em particular em países europeus e nos Estados Unidos — disse.

Segundo Maria, não há dados ainda sobre a severidade da subvariante, mas não há indicativo de que ela provoque quadros mais graves da doença do que outras sublinhagens da Ômicron.