Laboratórios competem pela vacina mais eficaz contra covid-19

Yvan COURONNE, con las oficinas de AFP en el mundo
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Vacina dos laboratórios Pfizer e BioNTech, em 17 de novembro de 2020
Vacina dos laboratórios Pfizer e BioNTech, em 17 de novembro de 2020

Os laboratórios americanos Pfizer e German BioNTech anunciaram, nesta quarta-feira (18), que sua vacina contra a covid-19 tem uma eficácia similar à lançada por seu concorrente Moderna na segunda (16), enquanto a corrida para tentar imunizar o mundo se acelera.

À espera das futuras vacinas, os países continuam recorrendo às restrições das interações sociais, único método que apresenta algum sucesso até o momento.

Em um comunicado divulgado hoje, a Pfizer e a BioNTech disseram que os resultados finais completos de seu ensaio clínico em grande escala mostram que sua vacina é 95% eficaz. Este número é melhor do que os resultados parciais publicados na semana passada e que mostravam "mais de 90%" de eficácia.

O CEO da Pfizer, Albert Bourla, indicou que solicitará, "em alguns dias", a autorização de comercialização à agência americana que regula o setor de comida e remédios (FDA, na sigla em inglês).

"Os resultados do estudo marcam um passo importante nesta jornada histórica de oito meses para apresentar uma vacina capaz de ajudar a pôr fim a esta pandemia devastadora", disse Bourla.

Estados Unidos, Europa e outros países já reservaram centenas de milhões de doses da vacina da Pfizer e BioNTech. O grupo espera conseguir produzir 50 milhões de doses este ano, o que significa que poderia vacinar 25 milhões de pessoas. Em 2021, sua meta é fabricar 1,3 bilhão.

Vários laboratórios internacionais estão nas fases finais de testes de suas vacinas, o que permite aguardar o lançamento das campanhas de vacinação para a última semana de 2020 nos Estados Unidos, e no início de 2021, em outros países, dependendo dos acordos firmados com as empresas farmacêuticas.

- Luzes e sombras na Europa -

Enquanto isso, o mundo convive como pode com uma feroz segunda onda de coronavírus, com alguns números esperançosos, e outros, preocupantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou uma queda de 10% no número de casos na Europa na semana passada (o primeiro recuo em mais de três meses), embora tenha lamentado que o número de mortos no continente continue aumentando.

Com 1,84 milhão de novos casos, a pressão se mantém na Europa. Além disso, mais de 29.000 pessoas morreram no mesmo período, um aumento de 18% em relação à semana anterior.

Diante de uma ligeira melhora no "front" epidemiológico, a França começa a se preparar para a liberação do segundo confinamento até o Natal. O governo já antecipou que o relaxamento das medidas será progressivo.

A pandemia parece fora de controle em vários lugares, como no sul da Itália, por exemplo, onde ameaça sobrecarregar o sistema de saúde. Por esse motivo, em alguns países, as restrições aumentam, ou se prolongam com o tempo.

A Hungria estendeu até 8 de fevereiro o estado de emergência previsto até 11 de dezembro, em um primeiro momento. A medida inclui toque de recolher entre 20h e 5h, proibição de reuniões e ensino a distância para alunos de escolas secundárias e universidades.

As limitações de circulação, ao comércio e a restaurantes não são facilmente aceitas em todos os lugares. Em Berlim, a polícia alemã usou jatos d'água nesta quarta-feira para dispersar uma manifestação de opositores às medidas restritivas.

- Temor no Brasil -

No Brasil, segundo país com mais mortes por coronavírus (166 mil mortes) atrás dos Estados Unidos (248 mil), há um aumento nas internações que desperta o temor de uma segunda onda de pandemia como a que atinge a Europa e os Estados Unidos.

A média de óbitos, que havia passado de mil por dia entre junho e agosto, caiu para menos de 350 no início da semana passada. Desde sábado, porém, voltou a superar os 500.

O estado de São Paulo, o mais populoso e com maior número de casos e de mortes, teve um aumento de 18% nas internações na semana passada.

A América Latina e o Caribe são a região mais em luto no mundo, com 426.000 mortes e 12,1 milhões de infectados.

Do outro lado do planeta, o estado da Austrália do Sul anunciou a aplicação de um confinamento de seis dias, a partir da meia-noite desta quarta-feira, na capital, Adelaide. Escolas, restaurantes e fábricas fecharão, e os moradores terão de ficar em casa.

Em Oslo, a Fundação Nobel anunciou nesta quarta-feira que o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), David Beasley, não viajará em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2020, devido à pandemia do coronavírus.

"Neste momento, dadas as circunstâncias em Oslo, não seria possível que a cerimônia acontecesse, nem o restante das atividades do programa do premiado", informaram os organizadores.

A pandemia já causou 1,34 milhão de mortes desde dezembro, segundo balanço da AFP desta quarta-feira.

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