Laboratórios já criam ‘cadastro’ por vacina privada, prometida para abril

Henrique Gomes Batista
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SÃO PAULO — “Vamos ter vacina para COVID-19, SIM! A Covaxin, da Bharat Biotech, estará disponível em meados de abril/21,aqui no GENOLAB”, afirma o anúncio, em redes sociais, de um dos maiores laboratórios de Blumenau (SC), prometendo a venda de imunizantes para daqui a dois meses. Embora esta vacina ainda não esteja disponível e nem tenha sido aprovada pela Anvisa, a movimentação por compra de doses privadas começa a ocorrer.

Opção: Ministério da Saúde discute compra de nova vacina indiana

Procurado por clientes, o Genolab Genética Avançada, que em seu anúncio publica a foto de um frasco com uma dose do imunizante indiano, encaminha os interessados para uma conversa em uma conta de Whatsapp. Nela, um profissional, apresentado como “Dr. Fabiano”, explica que “neste final de semana iremos liberar a plataforma de reservas, SEM pre-pagamento (sic), apenas para garantir suas doses e quantidade de pacientes a serem imunizados!”.

A comunicação com os clientes ainda indica que “O valor fechado ainda não temos, pois dependemos das taxas e cotação de Dollar (sic) do dia de embarque das Vacinas”. Procurado, o laboratório afirma que "ainda nao existe a reserva por nao termos o site finalizado", e que o site vai esclarecer todos os pontos da vacina, inclusive que ela precisa de testes e da aprovação da Anvisa. A portavoz do laboratório disse ainda que o site explicará que a "estimativa" é que a vacina esteja disponível em abril, embora o anúncio do Genolab indica que "A Covaxin, da Bharat Biotech, estará disponível em meados de abril/21".

Pedido na Anvisa

A Precisa Farmacêutica, representante do laboratório indiano Bharat Biotech, entrou com pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realização de estudos de fase 3 da vacina Covaxin no Brasil.

A Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (Abvac) negocia a compra de 5 milhões de doses deste imunzante. A reportagem procurou a associação sobre este anúncio, mas não obteve resposta até o momento. Porém, fontes da entidade afirmam que ainda não há autorização, disponibilidade ou previsão do produto para que ele seja vendido ou criada listas de espera.