Lactantes são alvo do marketing de fórmulas infantis nas redes sociais, diz OMS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mães recentes que usam as redes sociais para se informar sobre amamentação são alvos mais frequentes do marketing digital da indústria de fórmulas infantis, segundo estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O relatório apresentado nesta sexta-feira (29) mostra que posts promocionais de leites artificiais para recém-nascidos têm alcance três vezes maior nas redes sociais do que postagens não comerciais a respeito da amamentação.

Ao menos 8 em cada 10 mulheres tiveram contato com o conteúdo promocional desses produtos pela primeira vez na internet. As propagandas incluem as fórmulas infantis e também mamadeiras.

O estudo analisou 4 milhões de posts nas redes sociais sobre amamentação entre janeiro e junho de 2021 em 17 países. As publicações alcançaram cerca de 2,4 bilhões de pessoas e geraram 12 milhões de comentários e interações.

Conteúdos pagos de empresas que produzem as fórmulas infantis somam 90 posts por dia, o que atinge 229 milhões de usuários nas redes sociais, segundo a OMS.

"O marketing nas redes sociais é uma espécie de propaganda com anabolizantes, tem muito mais impacto do que o modo tradicional e, por isso, é preocupante quando se trata da divulgação de produtos que substituem o leite materno", diz Laurence H. Grummer-Starwn, um dos autores da pesquisa.

Nesse sentido, o estudo mostra que os usuários de redes sociais mais afetados por essa estratégia estão em Bangladesh, China, México, Marrocos e Argélia.

"A mãe recente se torna um alvo das campanhas ao pesquisar na internet sobre qualquer detalhe da maternidade, como choro e cólicas do bebê", diz a pesquisadora Nina Chad que também assina o estudo.

A preocupação, segundo a pesquisadora, é que essa estratégia de divulgação muitas vezes não é identificada como propaganda e aparece como conteúdo informativo em grupos de mães e aplicativos de maternidade. "É urgente que haja novas regulações", diz Chad.

Segundo a OMS, as ações de marketing digital violam o código de publicidade para produtos que substituem o leite materno criado em 1981.

O órgão internacional aponta que a ampla divulgação de fórmulas infantis reflete na confiança da mãe em nutrir seu filho com leite materno. "Na Indonésia, as fórmulas são consideradas produtos obrigatórios para os bebês", diz Nia Umar, presidente da associação que representa as lactantes no país.

Ela conta que é tradicional na Indonésia a estreita relação entre as empresas alimentícias e governantes que não regulamentam a venda desses produtos. "Essa aproximação se intensificou durante a pandemia", diz.

Há cerca de um ano, o país conta com um canal de denúncias de situações que afetam a amamentação, entre as quais a divulgação indiscriminada de leites artificiais para recém-nascidos. "A indústria mira as mães de forma muito poderosa no meu país", diz.

O pesquisador Cristiano Boccolini, da ONG Observa Infância, que atuou como consultor do tema na OMS, lembra o caso de uma adolescente que teve a gravidez descoberta pelo aplicativo de uma grande rede de varejo nos Estados Unidos antes mesmo de seu pai.

Com base nas suas pesquisas na internet, a loja passou a enviar cupons de ofertas de fraldas e outros itens para bebês. "Geramos informações sobre nós de várias maneiras, como quando vamos ao supermercado ou o tempo que passamos em determinada loja", diz Boccolini.

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