Ladrões aproveitam confusão na dispersão da festa de abertura do Carnaval 2020

Arthur Leal
Foliões registram ocorrências na 12ª DP, em Copacabana

Dezenas de pessoas compareceram à 12ª DP (Copacabana) para registrar o roubo de celulares, carteiras e bolsas depois do show de abertura do carnaval, realizado neste domingo (12). A festa, que começou com a coroação da corte momesca, terminou em confusão depois que, segundo relatos, a Polícia Militar jogou bombas de gás para dispersar a multidão. Em nota divulgada mais cedo, a Riotur, responsável pela organização do evento, estimou o público em 300 mil pessoas.

O copeiro Wallace Santos, morador do Complexo da Maré, na Zona Norte, resolveu curtir o bloco da Favorita — principal atração da festa — com a esposa, a filha e as sobrinhas, mas acabou sendo um dos muitos surpreendidos pela ação de ladrões. Ele conta que foi roubado logo após o fim dos shows, em meio ao tumulto que se seguiu. Criminosos se aproveitaram de sua desatenção e levaram as bolsas do grupo com tudo que estava dentro.

— Começou uma confusão muito grande, a polícia explodindo bomba, correria... foi quando me abaixei e abracei minha esposa e as meninas. Nesse momento a gente se descuidou e passaram levando tudo. Agora fizemos o registro na delegacia mas nada pode ser feito mais, de acordo a delegada, porque o cara não foi preso — conta Wallace. Dentro das bolsas estavam documento, cartões, dinheiro e celulares. Ele não sabe como voltará para casa com a família.

As amigas Camille da Silva e Letícia Santos, que vieram de Queimados e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, também foram vítimas de ladrões que agiram em meio à correria iniciada depois que as bombas foram jogadas.

— Estavamos curtindo bloco em frente ao Palace quando começamos a ouvir as bombas. Quando a gente viu, todos estavam correndo, dispersando na rua, e falaram que era a polícia tentando abrir a rua para liberar. Nós corremos, senão seríamos pisoteadas. Foi quando o cara passou, meteu a mão no bolso da Camille e levou o celular dela. No desespero ela ainda tacou uma latinha de cerveja nele, mas ele fugiu — conta Letícia.

Elas dizem ainda que, depois, quando tentaram ligar para o aparelho, o ladrão fez ameaças e disse se lembrar "de quem elas eram".

— Estamos saíndo da delegacia desalentadas. Não quiseram registrar ocorrência, e quando eu disse que ele estava ameaçando minha amiga, responderam que não podiam fazer nada. A delegacia está lotada de gente na mesma situação. Sugeriram que ela apenas cancele o chip — lamentou.