Lagarde vê projeções mais pessimistas para PIB da zona do euro

Carolynn Look

(Bloomberg) -- A economia da zona do euro mostra desempenho pior do que o esperado, correndo o risco de entrar numa recessão em linha com as previsões mais pessimistas do Banco Central Europeu, segundo a presidente da instituição, Christine Lagarde.

O PIB da região deve encolher entre 8% e 12%, disse Lagarde. Segundo ela, as estimativas de queda mais suave agora estão “desatualizadas”. Suas observações destacam a gravidade do impacto do fechamento de empresas na Europa por causa da pandemia de coronavírus, o que causou a demissão de centenas de milhares de pessoas e colocou outros milhões em licença.

Tanto o banco central quanto governos aumentaram os gastos para oferecer apoio a empresas e famílias.

“Em alguns dias, teremos uma melhor noção quando publicarmos nossos números, mas provavelmente estaremos entre os cenários médio e grave”, disse Lagarde sobre as perspectivas em sessão de perguntas e respostas on-line. O vice-presidente do BCE, Luis De Guindos, reiterou a avaliação de Lagarde na quarta-feira.

A instituição deve atualizar as projeções oficiais de crescimento e inflação na próxima semana, quando o Conselho do BCE também realiza sua reunião de política monetária.

Em março, o banco central lançou um programa emergencial de compra de ativos de 750 bilhões de euros (US$ 822 bilhões), que poderá ser aumentado na reunião da semana que vem.

Lagarde mostrou confiança de que gastos públicos mais altos evitarão uma nova crise da dívida na zona do euro. Os custos do serviço da dívida são “extremamente baixos”, disse, acrescentando que, se as economias forem transformadas para se tornarem mais eficientes, produtivas e sustentáveis, os gastos devem ser incentivados.

“Países do mundo todo tiveram que responder e, como resultado, tiveram que aumentar a dívida”, disse. Diante da pandemia, “o uso da dívida não é apenas recomendado, é o caminho a percorrer.”

No evento virtual, realizado com jovens europeus, Lagarde também respondeu a uma pergunta sobre que conselho daria aos jovens que embarcavam em suas carreiras em tempos tão difíceis.

Ela incentivou os participantes a aceitarem a “beleza do curso das mudanças que estamos vendo”, com a busca de novas habilidades e “preparados para fazer todo tipo de trabalho”.

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