Lagoa de Itaipu, em Niterói, tem profundidade média de apenas 20 centímetros

Giovanni Mourão
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NITERÓI — Após décadas de assoreamento e despejo de esgoto, a Lagoa de Itaipu continua agonizando. Uma vistoria feita no último dia 7 pela Comissão de Saneamento Ambiental (Cosan) da Alerj identificou que a profundidade da lagoa, em média, é de apenas 20 centímetros, variando de sete a 70 centímetros, dependendo da região. O flagrante resultou numa representação ao Ministério Público Federal (MPF), na qual a Cosan solicita a adoção de medidas emergenciais para evitar danos ainda maiores.

De acordo com técnicos da Cosan, entre os principais problemas encontrados está o assoreamento do canal responsável pela oxigenação da lagoa. O deputado estadual Gustavo Schmidt, presidente do grupo, relata que os pareceres técnicos indicam que a situação vem prejudicando a renovação das águas e contribuindo para a mortandade de espécies da fauna marinha.

— Uma pesquisa de 2014 aponta que, de 1976 a 2011, o corpo d’água do complexo lagunar Piratininga-Itaipu perdeu cerca de 880 mil metros quadrados. Não encontramos dados a partir de 2011, mas imaginamos que a situação tenha se agravado ainda mais — pontua Schmidt, que enviou uma cópia do documento à prefeitura.

A fiscalização ainda constatou que o despejo de esgoto e o acúmulo de detritos nos rios e canais que chegam ao sistema lagunar permanecem, aumentando a poluição e impedindo a utilização da lagoa para pesca, turismo e lazer.

Recentemente, operações de remanejamento de areia feitas pela prefeitura junto à foz do Canal de Itaipu mostraram-se ineficazes, e parte do material retirado retornou ao interior do canal.

A prefeitura, por meio do programa PRO Sustentável, informa que, entre as ações mais imediatas previstas estão a elevação dos molhes do Canal de Itaipu e a recuperação estrutural dos enrocamentos, o “que propiciará maior durabilidade às obras de desassoreamento do canal”. A nota informa: “A Secretaria de Obras e a Emusa estão iniciando os procedimentos para a elaboração do projeto executivo das obras”.

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