Lakhdar Brahimi escolhido como enviado da ONU para Síria

O ex-chanceler argelino Lakhdar Brahimi será o enviado de paz das Nações Unidas para a Síria (maio 2012) (AFP)

O ex-chanceler argelino Lakhdar Brahimi será nomeado enviado de paz das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria no lugar de Kofi Annan, afirmaram diplomatas nesta quinta-feira.

Um anúncio oficial da indicação de Brahimi, de 78 anos, é aguardado para o começo da próxima semana, afirmaram diplomatas, falando sob a condição do anonimato porque as negociações sobre a nomeação continuam.

Brahimi, ministro das Relações Exteriores de 1991 a 1993, foi enviado especial da ONU para o Afeganistão entre 1997 e 1999, assim como de 2001 a 2004, após a queda dos talibãs. Também representou as Nações Unidas no Iraque em 2003.

O dirigente argelino se aposentou em 2005, mas quatro anos depois aceitou dirigir um grupo de especialistas independentes para dar conselhos sobre segurança do pessoal das Nações Unidas no mundo.

Brahimi também faz parte do grupo "The Elders" ("Os Anciãos"), dedicado à mediação de conflitos, ao lado do herói contra o apartheid Nelson Mandela, do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e do ex-primeiro-ministro finlandês e Nobel da Paz Martti Ahtisaari.

Annan anunciou em 3 de agosto que deixará seu cargo de emissário para a Síria no final do mês, por "não ter recebido todo o apoio que a causa merecia". "Há divisões na comunidade internacional".

O ex-secretário-geral da ONU, designado enviado especial no dia 23 de fevereiro, desenhou um plano de paz de seis pontos, que incluía o fim dos combates e uma transição política, jamais aplicados.

A Missão da ONU na Síria (MISNUS), enviada em abril, suspendeu em meados de junho suas operações diante da virulência dos combates e reduziu à metade (150) seus efetivos.

Os rebeldes sírios anunciaram nesta quinta-feira sua saída do bastião de Salahedin, em Alepo - a segunda cidade da Síria - após violentos bombardeios das forças do regime.

Segundo a ONU, ao menos 20 mil pessoas perderam a vida desde o início da revolta popular contra o regime de Bashar al Assad, em março de 2007.