Lama avança pelo Rio Doce e causa morte de animais e mau cheiro

 

(Reprodução/ Facebook/ Apard)
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O forte mau cheiro vindo da lama que percorreu 450 km pelo leito do Rio Doce é uma das maiores reclamações da população. O odor é resultado do espalhamento de compostos químicos e minérios diluídos nas águas das barragens da empresa Samarco que se romperam no último dia 5. Porém, o resultado, na verdade, está sendo provocado pela grande quantidade de animais mortos.

Em diversas cidades é possível ver, à medida que a lama se aproxima, quantidades grandes de peixes e bitus boiando. Na cidade de Resplendor, que foi atingida pelo lamaçal no último dia 12, o sumiço das capivaras comuns ao local também indicam mais uma consquência do crime ambiental. Na cidade, o abastecimento foi cortado e a água está sendo distribuída por carros-pipa.

"O rio era usado para agricultura, pecuária e pesca. Agora ninguém consegue ficar muito tempo perto", disse Janine Vicente, secretária de administração do município de Tumiritinga, em uma entrevista à Folha de S. Paulo. No último domingo, a lama estava se aproximando à hidrelétrica de Aimorés.

(Reprodução/ Facebook/ Apard)
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Cientistas de universidades como Unifesp e Unesp reuniram-se para a realização de um estudo independente com objetivo de analisar os impactos causados pela tragédia. Coletas estão sendo feitas na foz do Rio Doce, com objetivo de documentar o antes e o depois das condições da água e do ecossistema ao redor do manancial. O grupo pretende monitorar os impactos com "a maior isenção e precisão possíveis". Eles inclusive realizam uma campanha de financiamento coletivo online para reunirem R$ 50 mil.

Desde quinta-feira (12), cerca de 150 indígenas da etnia krenak organizaram uma manifestação que bloqueia a ferrovia entre Vitória e Minas. Eles exigem encontrar-se com responsáveis da Samarco - empresa controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP - e não desocuparam a região, mesmo tendo recebido ordem judicial para tal. De acordo com a empresa, 360 mil litros de água estão sendo enviados para a região, porém continuam parados devido ao bloqueio.

 
 

 

 'Operação Arca de Noé'

Pescadores da região organizaram uma força voluntária  batizada como 'Operação Arca de Noé' para resgatar parte dos milhões de peixes e levá-los até lagos ou outros rios. Especialistas acreditam que levará cerca de 10 anos para que a natureza reabsorva os estragos.

Dourados, surubins, pacus, tucunarés, pintados e outras espécies afetadas pelos resíduos de mineração estão escapando da morte dentro de caixas d'água, caçambas e lonas plásticas; tudo "no improviso", segundo moradores, em matéria da BBC.

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