Lama avança por rio e moradores deixam suas casas em MG

Nível de metais pesados – alumínio, ferro, chumbo e mercúrio – está dez vezes acima do recomendado no rio Paraopeba, segundo dados do governo (Foto: Edmar Barros/Futura Press)

Moradores de Ribeiro Manso (MG), comunidade a 300 km da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho, já começam a deixar suas casas com medo da lama. A comunidade fica às margens do rio Paraopeba, atingido por rejeitos de mineração. Embora a destruição não tenha chegado ali, os imóveis já desvalorizaram 50%. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Num pesqueiro localizado na zona rural de Curvelo, cujas águas também não foram atingidas, a clientela desapareceu, contou o dono ao jornal Folha de São Paulo. Uma expedição liderada pelo geógrafo Miguel Felippe, da Universidade Federal de Juiz de Fora, busca avaliar os danos físicos no rio e captar as apreensões da população.

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Na altura de Pará de Minas, a 110 km da barragem destruída, já é possível ver os danos no rio. “Esse material que está disperso no rio vai interagir com os peixes, com os bentos [organismos que vivem no substrato aquático], com o fitoplâncton; vai impedir a existência de algumas espécies que são mais exigentes e fazer, de certo modo, uma seleção das que existiam ali. É altíssima a probabilidade de que diversos tipos de peixes da região não resistam à turbidez atual. E ela não vai cessar de uma hora para outra”, explicou ao jornal.

A lama de minério que se espalha pelo rio é composta de três camadas: uma densa, que se deposita no fundo dos rios, outra mais fina, que fica suspensa na superfície, e a química, que se mistura à água – dados do governo já mostram a presença de alumínio, ferro, mercúrio e chumbo em níveis até dez vezes maiores que o recomendável.

O impacto também poderá ser visto nos animais. Os que sobreviverem ao contato com as substâncias irão espalhá-las na cadeia alimentar, explicou a bióloga da equipe, Gabriela Barreto. Muitos também acabarão migrando ou fugindo para áreas urbanas, segundo a pesquisadora.