Laudo contesta suicídio e aponta que criança de 10 anos foi morta esganada

Kauã Tavares, 10 anos, teria sido morto pela própria mãe em conjunto com o padrasto - Foto: Reprodução/TV Globo
Kauã Tavares, 10 anos, teria sido morto pela própria mãe em conjunto com o padrasto - Foto: Reprodução/TV Globo

Laudo pericial feita no corpo do menino Kauã Almeida Tavares, de 10 anos, morto em março deste ano, identificou lesões no pescoço, nuca e região cervical de Kauã, mostrou que a criança não morreu de suicídio, mas foi assassinada.

A versão de que ele tinha se enforcado foi apresentada pela mãe e o padrasto em depoimento à Polícia Civil.

No entanto, o documento diz que a criança apresentava “pequenas lesões escoriativas lineares nas regiões carotídeas, no pescoço, na região supraescapular esquerda, pouco características de enforcamento”.

O menino foi encontrado morto no dia 17 de março na casa onde morava com a mãe, Suelen da Conceição Almeida, o padrasto, Alan Ferreira da Silva, e o irmão de 3 anos, em Marambaia, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

“As marcas encontradas no pescoço não condizem com enforcamento, mas sim com a esganadura praticada pelos dedos das mãos. E isso é uma prova técnica irrefutável de que não houve enforcamento, não houve suicídio”, destacou o delegado Fábio Asty da 74ªDP (Alcântara).

Após o laudo, a delegacia tenta individualizar a conduta, através de diligências, para tentar descobrir quem cometeu a esganadura contra a criança.

Uma simulação foi feita com a mãe e o padrasto de Kauã para saber, segundo a polícia, mostrou que os dois entraram em contradições. A mãe afirmou que o menino teria sido encontrado de um lado da janela, e o padrasto disse que ele foi achado do outro lado.

Os dois foram presos de forma temporária no último sábado (9), na casa para onde se mudaram. Eles negaram qualquer envolvimento na morte de Kauã.

Segundo o delegado, testemunhas que conheciam a família afirmaram que o menino vinha sofrendo maus-tratos dentro de casa.

“Há relatos de testemunhas que, certa vez, Kauã foi violentado fisicamente pela mãe, levando uma surra com cabo de vassoura. Ele também sofria uma violência psicológica. Ele sofria essas violências físicas constantemente. A gente não tem dúvida de que essa morte aconteceu em razão deste tipo de destempero praticado pela Suelen e pelo padrasto Alan”, disse Asty.

Suicídio

Mãe e padrasto de Kauã, seguem afirmando que o menino teria cometido suicídio.

Alan Silva, em depoimento, afirmou que ele levantou para pegar água na cozinha e encontrou Kauã preso a uma corda, pendurado, com os joelhos dobrados e os pés encostados no chão, com uma corda no pescoço. A corda, que seria a guia de um cachorro, estaria presa na tranca da janela.

No entanto, Suelen afirmou que o padrasto encontrou o menino por volta das 15h e que chegaram a levar Kauã para atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Luzia e que, ao chegar no local, ele vomitou.

“Eles disseram que a criança teria vomitado dentro do carro, e as testemunhas e a perícia comprovou que não houve nenhum tipo de vômito dentro do veículo”, afirmou Asty.

Ainda de acordo com as investigações, a UPA para onde o casal levou o menino fica mais distante da casa da família e que havia uma outra unidade de saúde que ficava apenas dez minutos de distância, mas que Suelen e Alan optaram pelo local mais longe.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos