Laudo revela violência de impacto sofrido por casal atropelado e morto por carro dirigido por Marcinho

Marcos Nunes
·3 minuto de leitura

Ferimentos e fraturas constatados nos corpos dos professores do Cefet/RJ, Maria Cristina José Soares, de 66 anos, e Alexandre Silva Lima, de 44, através de exames cadavéricos feitos no Instituto Médico-Legal do Rio, revelam a violência do impacto do atropelamento sofrido pelas vítimas, na noite do dia 30 de dezembro último, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio . O veículo que atropelou o casal, que estava junto havia 12 anos e que em janeiro de 2019 oficializou em cartório uma união estável, era um Mini Cooper dirigido pelo jogador de futebol Márcio Almeida de Oliveira, o Marcinho. O ex-lateral do Botafogo prestou depoimento, na segunda-feira, e admitiu que dirigia o carro, mas afirmou que trafegava a uma velocidade de 60 quilômetros.

A Polícia Civil já adiantou ter indícios que o atleta estaria em uma velocidade maior. Laudo cadavérico, obtido pelo Extra, revela como foi o impacto nos corpos das duas vítimas. professor de engenharia mecânica, Alexandre teve como causa mortis, segundo laudo assinado pelo médico legista Cláudio Amorim Simões, traumatismo craniano, traumatismo do tórax e traumatismo do abdômen com hemorragia interna. O exame descreve que o corpo apresentava ainda fratura dos cotovelos, do fêmur direito, do joelho esquerdo e da coluna cervical. Também foram constatadas escoriações no rosto e laceração de fígado e de baço.

Uma testemunha ouvida pelo delegado Alan Luxardo, da 42ªDP (Recreio dos Bandeirantes) chegou a mencionar ter visto o corpo do professor ficar preso na parte frontal do Mini Cooper. A mesma testemunha disse que Alexandre chegou a ser arrastado, até se desprender e cair no solo, ocasião que o veículo chegou a passar por cima dele.O educador não suportou os ferimentos causados no acidente e morreu na hora.

Já Maria Cristina, professora e coordenadora do curso de Engenharia Ambiental, chegou a ser socorrida. Ela foi internada em um hospital particular, na Barra da Tijuca, mas morreu na noite desta terça-feira. O exame cadavérico feito no corpo da educadora revelou que ela teve, como causa mortis, traumatismo do tórax e de membros inferiores, este último com uma complicação causada por uma infecção. Além disto, ela também sofreu fraturas nas costas, do fêmur direito e esquerdo, em uma das tíbias e no tornozelo direito.

A família de Maria Cristina entrou com um pedido de liminar, no Tribunal de Justiça do Rio, pedindo autorização para cremar o corpo da educadora, vontade manifestada pela professora ainda em vida. Segundo os advogados Márcio Albuquerque e André Nascimento, que defendem os interesses da família da professora, em caso de morte violenta é necessário uma autorização judicial para realização da cremação, já que teoricamente isto impediria uma futura exumação, caso isso fosse necessário para esclarecer o caso.

Nesta quinta-feira, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli realizaram uma perícia complementar no Mini Cooper, no pátio da 42ª. O automóvel está no local desde que foi apreendido pela polícia. Segundo o delegado Alan Luxardo, da 42ª , o objetivo da nova perícia é comparar os estragos causados no carro que era dirigido pelo atleta com a velocidade que veículo estava no momento do atropelamento.

— A perícia vem para complementar as perícias anteriores, justamente para ter uma conexão maior do estado do veículo com a velocidade na hora do impacto. Os elementos testemunhais e os outros que colhemos até agora dão este entendimento (de uma velocidade maior) — disse o delegado.

Em seu depoimento, prestado na última segunda-feira, o ex-jogador do Botafogo negou que tivesse ingerido bebida acoolica antes do atropelamento. A defesa de Marcinho alegou que ele não socorreu as vítimas por temer ser linchado, já que algumas pessoas teriam se aglomerado em torno do carro, logo após o acidente.

Quatro testemunhas, ouvidas pela polícia nesta quarta-feira, disseram que estavam com Marcinho momentos antes do acidente, em uma confraternização de família. Elas afirmaram que o jogador não ingeriu bebida alcoólica. Já outras duas testemunhas, ouvidas um dia antes, disseram ter visto o Mini Cooper em alta velocidade e "costurando "em meio ao trânsito da Avenida Sernambetida, onde o atropelamento ocorreu.