Laudo toxicológico aponta droga sintética MD e cafeína no sangue de MC Kevin

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RIO - O laudo de exame de pesquisa indeterminada de substância tóxica em amostras biológicas feito no corpo do cantor Kevin Nascimento Bueno, o MC Kevin, apontou duas substâncias compatíveis com os padrões de cafeína e metilenodioximetanfetamina, uma droga sintética popularmente conhecida como MDMA ou MD. O resultado corrobora os depoimentos prestados por testemunhas na 16ª DP (Barra da Tijuca), no inquérito que apura a morte do funkeiro, que dão conta que o jovem usou bebida alcoólica, energético além de entorpecentes antes de cair da varanda do quarto 502 de um hotel na Barra da Tijuca.

De acordo com o documento, assinado pela perita Raquel Cenachi Madalosso, ao qual O GLOBO teve acesso, o sangue foi analisado com as técnicas chamadas Cromatografia em Camada Delgada (CCD) e Cromatografia Gasosa com detector de Espectrofotometria de Massas (CG-MS), e, de acordo ela, as duas substâncias foram detectadas . A profissional destaca que, como o Laboratório de Toxicologia não dispõe de metodologia para quantificação das mesmas, não há elementos para afirmar se “foram utilizadas em doses usuais ou excessivas”.

O MD age no sistema nervoso central, liberando neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, envolvidos no controle do humor, termorregulação e sono. Entre os sintomas gerados, estão sensibilidades ao toque, percepção de cores mais fortes, aumento da energia física e mental. O aumento da frequência cardíaca e da temperatura corporal são também efeitos de curto prazo. Por isso, o consumo de água é constante entre usuários.

Segundo o perito Nelson Massini, professor titular de Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a combinação de cafeína, que pode ser da ingestão de energéticos, e de metilenodioximetanfetamina, com álcool cria uma “fórmula devastadora”. Como O GLOBO mostrou ontem, de exame do Instituto Médico-Legal apontou uma concentração de 13dg/L no corpo de Kevin — teor considerado médio, numa escala que varia entre a sobriedade e a morte de um indivíduo. Nesse patamar, a pessoa tende a apresentar incoordenação, perda do julgamento crítico e da memórias e tempo de reação aumentado.

— Enquanto a bebida alcoólica tira o raciocínio lógico, o MD alucina, causando hiperatividade, psicose e até ataques de pânico. Essa mistura tem levado a muitas mortes no Brasil, seja na direção de veículos, brigas e pelos efeitos deletérios ao organismo — explica.

De acordo com os termos de declaração dados ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, Kevin chegou na praia da Barra, com Victor Elias Fontenele, Jhonatas Augusto Cruz e Gabriel, por volta de 13h. No Kiosque Carioca, onde conheceram a modelo Bianca Domingues, grupo consumiu R$ 1.555,40 — apenas com bebida alcoólica, que inclui caipirinha, caipivodka, cerveja, tequila, gim, e de enérgico, foram desembolsados R$ 1.070. Durante o dia, o funkeiro também teria usado MD e maconha.

Por volta de 17h, Kevin, Victor e Bianca foram para a suíte 502 para manterem relações sexuais. Quando estava com a modelo na varanda, o funkeiro teria tentado passar para o andar de baixo, supostamente com receio de que sua mulher, a advogada Deolane Bezerra, que também estava hospedada no hotel, chegasse. Ele teria desequilibrado e caído de uma altura de 15 metros.

Cronologia: Saiba o que aconteceu antes da morte de MC Kevin

Socorrido para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, não resistiu aos ferimentos. O exame de necropsia do apontou que o corpo do artista sofreu 13 fraturas, do nariz, maxilar, mandíbula e costelas, além de hemorragia na cabeça, perfuração no pulmão e rompimento do fígado. A causa da morte é descrita como traumatismo crânio encefálico.

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