Laudos apontam execução de civis por policiais no Jacarezinho

·2 minuto de leitura
TOPSHOT - View of the scene where an alleged drug trafficker was reportedly killed by civil police in Jacarezinho favela, Rio de Janeiro, Brazil on May 6, 2021. - A massive police operation against drug traffickers in a Brazilian favela Thursday left 25 people dead, turning the impoverished Rio de Janeiro neighborhood into a battlefield and drawing condemnation from rights groups. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP) (Photo by MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Interior de casa após ação de policiais na Chacina do Jacarezinho, a mais letal na história do Rio de Janeiro. Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
  • Operação da Polícia Civil deixou 27 mortos

  • Há indícios e denúncias de mortes sem possibilidade de defesa

  • Caso ocorreu em maio e segue sendo investigado

Durante a Operação Excepios, da Polícia Civil do Rio de Janeiro que deixou 27 pessoas mortas na favela do Jacarezinho em maio, ocorreram execuções e interferência em cenas de crimes, de acordo com documentos da investigação.

As execuções já haviam sido denunciadas por moradores da favela e parentes das vítimas à Defensoria Pública e à OAB-RJ. Além disso, há relatos de presos na operação que afirmam que foram torturados e obrigados a carregar corpos.

Oito agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil participaram da operação. Os policiais deste grupo participaram de 22 dos 27 assassinatos no que ficou conhecido como Chacina do Jacarezinho. As ações do Core já deixaram 304 mortos desde 2007.

Leia também:

O Core comentou as informações com uma nota ao portal UOL, afirmando que "os laudos são compatíveis com o que ocorre em casos de conflito armado em ambientes confinados. Só é possível uma análise técnica após o confronto de todas as provas produzidas, assim evitando conclusões precipitadas. Todos os atos são submetidos ao Ministério Público, que possui uma apuração autônoma em paralelo".

A reportagem do portal UOL avaliou as informações de sete das vítimas que foram assassinadas por agentes em um prédio da Rua do Areal no início da operação. Dentre eles, apenas um não era um homem negro, revelando mais uma vez o caráter de execução de jovens negros já visto na ação da polícia em comunidades no Rio de Janeiro.

Isso pode ser comprovado com dados da Rede de Observatórios de Segurança, que mostram que 78% das pessoas mortas pelas policiais no estado em 2019 eram negras – ou ao menos 1.423 das 1.814 mortes.

Recentemente, laudos do Instituto Médico Legal (IML) revelaram que quatro das vítimas do Jacarezinho foram mortas com tiros nas costas e um morreu com um tiro à queima-roupa. Estes disparos são feitos à uma distância de 60 a 70 cm, e são característicos de execuções.

Outra questão relevante é a similaridade entre os depoimentos à Delegacia de Homicídios da Capital (DH) prestados pelos oito agentes envolvidos nas mortes do prédio da Rua do Areal. O DH investiga se homicídios são cometidos em legítima defesa ou se há configuração de crime.

Os oito depoimentos foram tomados pela mesma escrivã no dia da chacina e eram quase idênticos. Foram registrados no sistema da Polícia Civil entre 19h44 e 20h38, sendo que o intervalo de registro de alguns destes depoimentos foi inferior a cinco minutos.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos