Laudos médico apontam que Adélio não pode ser punido por ataque a Bolsonaro

Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado à faca logo depois que foi preso. (Foto: Polícia Militar de Minas Gerais)

Laudo feito por peritos indicados pela Justiça Federal apontam que Adélio Bispo de Oliveira, autor do ataque a faca contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) na campanha eleitoral de 2018, sofre de doença mental e não pode ser punido criminalmente pelo fato.

As informações são do portal G1 e foram obtidas pela TV Globo por fontes diretamente envolvidas na investigação.

Segundo o documento, Adélio tem um transtorno mental identificado como “delirante permanente paranoide” e, portanto, foi considerado inimputável. O documento obtido pela TV Globo registra ainda que Adélio diz, em entrevistas realizadas por psicólogos e psiquiatras, que “não cumpriu sua missão” e que tentaria novamente matar o presidente assim que saísse da cadeia.

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Adélio é réu em denúncia aceita pela Justiça Federal por prática de atentado pessoal por inconformismo político, mas o caso ainda não foi julgado. Ele aguarda a sentença preso provisoriamente no presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS).

A perícia médica pedida pela Justiça Federal resultou em dois laudos, um psiquiátrico e um psicológico, e que divergem entre si, segundo o procurador da República Marcelo Medina. O procurador do MPF (Ministério Público Federal) se manifestou no processo solicitando esclarecimentos, no dia 22 de fevereiro, e alegou que não pode dar detalhes já que corre em sigilo.

Caso a Justiça Federal entenda que Adélio é inimputável – que não pode ser punido criminalmente – ele deve ser levado para um manicômio judicial e não para um presídio.

Dois inquéritos foram abertos pela PF para apurar a responsabilidade de Adélio no atentado a faca. O primeiro, concluído em setembro de 2018, declarou que ele agiu sozinho no ataque. Já o segundo, ainda em aberto, apure possíveis conexões de Adélio com pessoas ou grupos que possam ter contribuído no crime.

O ATAQUE

O ataque ao político aconteceu no dia 6 de setembro de 2018, durante um ato de campanha no centro da cidade de Juiz de Fora, na zona da mata de Minas Gerais. Bolsonaro era carregado por apoiadores quando foi atingido por um homem com uma faca. Após o ataque, o presidenciável foi retirado do local e levado à Santa Casa.

Foi revelado que ele havia sido filiado ao PSOL entre 2007 e 2014. No dia da agressão, a Câmara dos Deputados, em Brasília (a mais de 1000km de Juiz de Fora), registrou erroneamente a entrada de Adélio no local em duas ocasiões.