Lava-Jato denuncia administrador de gráfica por lavagem de R$ 2, 4 milhões em contratos da Petrobras

Gustavo Schmitt

SÃO PAULO. A força-tarefa da Lava-Jato do Paraná ofereceu nesta quinta-feira denuncia por lavagem de dinheiro contra Paulo Roberto Salvador, administrador da Editora Gráfica Atitude — que chegou a ser multada por fazer propaganda eleitoral irregular para a então candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, em 2010.

Salvador é acusado de lavar R$ 2,4 milhões em propina envolvendo contratos da Petrobras firmados a pedido de João Vaccari, ex-tesoureiro do PT. O administrador não foi encontrado para comentar a denúncia.

De acordo a denúncia, a primeira dos procuradores de Curitiba neste ano, o dinheiro foi repassado entre os anos de 2010 e 2013, em contratos falsos de prestação de serviços firmados com o Grupo Setal/SOG Óleo e Gás. O Ministério Público Federal (MPF) sustenta que a gráfica nunca prestou os serviços contratados.

Os procuradores afirmam que Salvador contou com ajuda de Vaccari, do ex-diretor da Área de Serviços da Petrobras, Renato de Souza Duque e do executivo do Grupo Setal/SOG Óleo e Gás, Augusto Ribeiro de Mendonça, para emitir notas frias e justificar o pagamento dos serviços contratados mas não prestados.

Na denúncia, o MPF diz ainda que Mendonça prometeu pagamentos de propina a Duque e Vaccari, por contratos em obras nos terminais de Cabiúnas 2 e 3, na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, na Refinaria de Paulínea (Replan), e na Refinaria Henrique Lage (Revap) — as duas últimas ficam em São Paulo.

Vaccari e Duque já foram condenados nesse mesmo caso pela 13ª Vara Federal de Curitiba, o que foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), corte que é responsável por analisar as apelações de réus da Lava-Jato na segunda instância.

No esquema, segundo a força-tarefa, o Grupo Setal/SOG Óleo e Gás e outras empresas de consórcios com contratos com a Petrobras repassaram pelo menos R$ 66 milhões em pagamentos de propina, em ações de lavagem de dinheiro.

Os R$ 2,4 milhões indicados na denúncia desta quinta-feira foram parte desse montante, conforme o MPF.