Por causa de coronavírus, Justiça concede prisão domiciliar a Paulo Preto e Augusto Henriques

Gustavo Schmitt

SÃO PAULO. SÃO PAULO. A Vara de Execuções Penais de Curitiba concedeu nesta quarta-feira medida cautelar de prisão domiciliar para o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e o lobista João Augusto Henriques. A decisão foi tomada em razão do agravamento do surto de coronavírus. Eles serão monitorados pelas autoridades por meio de tornozeleira eletrônica.

Souza é acusado de ser operador de propina do PSDB em obras viárias no estado de São Paulo.Henriques foi apontado pela Lava-Jato como lobista do MDB. Os dois estavam no Complexo Médico Penal, na região metropolitana de Curitiba, onde ficam os presos da Operação Lava-Jato.

Paulo Vieira de Souza é réu em quatro ações sob responsabilidade da força-tarefa da Lava-Jato e responde pela prática de numerosos crimes, incluindo corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e destruição de provas. Já condenado em duas ações, pelo juízo da 5a Vara Federal de São Paulo – tendo uma das sentenças sido anulada por decisão que foi objeto de recurso. Ele também era investigado na Lava-Jato do Paraná, mas recentemente o Tribunal Regional Federal da 4ª Região encaminhou os fatos à Justiça paulista, sob o argumento de que as acusações não tinha relação com os desvios na Petrobras. Por conta disso, a Lava-Jato requereu sua transferência para um dos presídios paulistas.Henriques está condenado a 15 anos e 8 meses de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de operar vantagens indevidas para políticos do MDB, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha. Nesta terça-feira, o subprocurador Domingos Sávio, da sétima Câmara de Coordenação e Revisão (controle externo da atividade policial e sistema prisional) informou que está de acordo com as medidas para minimizar os efeitos da pandemia do coronavírus, como a concessão de prisão domiciliar aos detentos dos regimes aberto, semiaberto e inadimplentes de pensão alimentícia. Há ainda a reavaliação de prisões provisórias e preventivas (superiores a 90 dias) para presos que respondem a crimes praticados sem uso de violência e que estão em grupo de risco de contágio pelo vírus, como os idosos.