Caso de Lázaro Barbosa desmistifica argumento pró-armas

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Lázaro Barbosa de Souza mobiliza centenas de policiais nas cidades satélites do DF
Lázaro Barbosa de Souza mobiliza centenas de policiais nas cidades satélites do DF

Nas redes bolsonaristas, corre um meme com a imagem de quatro pessoas da mesma família assassinadas por Lázaro Barbosa de Souza em uma chácara de Ceilândia (DF). A imagem dizia que, se estivessem armadas, as vítimas teriam sobrevivido e Lázaro, uma hora dessas, estaria morto.

Puro exercício de especulação —além de um desrespeito (mais um) com a memória das vítimas, usada agora como argumento político.

Do que se sabe até o momento sobre o psicopata responsável por uma série de crimes desde 2009 é que ele atuava justamente como um ladrão de armas nas propriedades que invadia.

Nos últimos dias, quando passou a ser caçado por centenas de policiais, seu modus operandi era buscar alimentos, celulares e munição para seguir foragido — e despistando a polícia a tiros.

Até agora ninguém conseguiu detê-lo. Nem as armas oficiais nem as particulares.

Em um dos casos, ele chegou a mapear a planta de uma chácara, encontrando o local onde ficava a caixa de energia, antes de preparar o ataque surpresa à noite, no breu.

O elemento-surpresa fazia com que os donos da casa não tivessem tempo de reação. Lázaro conseguia assim render os alvos, se alimentar e levar com ele revólveres e munição.

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Nessas localidades, a posse de armas tem uma justificativa plausível: distantes dos grandes centros, chácaras e fazendas não contam com os mesmos serviços de proteção de áreas com maior adensamento urbano. Por isso os moradores do campo precisam se armar — já que, em caso de assalto, não haveria como a polícia chegar a tempo.

A questão da segurança no campo é complexa.

Se a arma está em um local de fácil acesso ao seu proprietário, ela se torna um perigo, principalmente se estiver ao alcance de crianças. Ela se transforma também em utensílio de dissuasão em discussões que não envolvem vida e morte. É quando uma brigas de relacionamento ou de trânsito terminam em tiro.

Quando guardada a sete chances, a arma deixa de ser um recurso contra ladrões. Justamente porque estes costumam planejar suas ações.

Na maioria das vezes, as armas são um atrativo, um dos muitos objetos de valor a serem levados em caso de assalto.

Novamente, a questão da segurança de moradores em localidades distantes do alcance do Estado não é simples de ser resolvida.

Mas usar o caso do assassino do Planalto Central como exemplo é duvidar dos fatos, fartamente narrados, e subestimar a inteligência alheia.

Compradas para supostamente garantir a segurança das famílias, as armas de uso privado não chegaram perto de impedir o “maníaco” do cerrado a fazer o que ele bem quisesse pela região. Inclusive se armar com o revólver alheio.

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