"Todas as gerações se apaixonaram por Elza em algum momento", homenageia Lázaro Ramos

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Taís Araujo e Lázaro Ramos chegam ao velório de Elza Soares. Foto: Brazil News
Taís Araujo e Lázaro Ramos chegam ao velório de Elza Soares. Foto: Brazil News

O velório de Elza Soares, que faleceu nesta quinta-feira (20) aos 91 anos, aconteceu na manhã desta sexta-feira (21) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre amigos e familiares que compareceram para homenagear a cantora, muitas boas lembranças foram evocadas por queridos da célebre mulher que foi Elza. Entre os famosos que prestaram pêsames estiveram o casal Lázaro Ramos e Taís Araújo.

"Ela é uma das maiores artistas do mundo, mas que não nos deixará porque é eterna. Nos cabe honrar a história dela, a vida que ela teve, a arte que ela deixa e seguir", se emocionou a atriz.

E é complementada por Lázaro que elogia a cantora por sua jornada: "Elza só trouxe exemplo para o mundo no ativismo e na música. Ela é um fenômeno porque todas as gerações se apaixonaram por Elza em algum momento. E é muito impressionante ver da nossa filha aos nossos pais apaixonados por ela ", completa o ator.

Taís concorda: "Tenho a sensação que ela preparou o terreno para a nossa geração, sabe? para as outras gerações é isso é muito bonito. É claro que não queríamos que ela tivesse uma vida tão dura, de tanta luta, mas é uma vida cheia de glória também. temos que lembrar disso. de tudo que ela conquistou para que tenhamos uma vida mais leve", conclui.

Outras homenagens

"Eu e minha vó estávamos morando juntas agora, então todos os dias nos falávamos e nos amávamos. Ela deixa uma família feita de mulheres fortes, ela me ensinou isso’, explicou ao Yahoo Vanessa Soares, neta da cantora.

Pedro Loureiro, empresário da cantora reinforça o carinho de Elza com a humanidade: Amava incondicionalmente. Durante a gravação do DVD teve um problema no figurino dela, o rapaz errou a medida e estava apertando. Ele brincou com ela: ‘você vai acabar comigo’. O menino achou que ia levar um bronca e ela respondeu: ‘Pra você só tenho amor. Não vou dar bronca em ninguém’", conta emocionado.

Dilma Soares chora à beira do caixão
Dilma Soares chora à beira do caixão

"Elza ensinou esse país a amar"

E continua, exaltando o legado de Elza para o Brasil: "Elza ensinou esse país a amar. Ela respondia com força, com protesto, mas com amor. Insistiu que a gente poderia amar. Foram muitos anos pra o Brasil a reconhecer", desabafa Loureiro.

"Faria 70 anos de carreira e só no últimos chegou ao apogeu que merecia. Não sabemos ser país ainda, temos que aprender e Elza Soares deixou esse legado. ela nos ensinou a ser gente", homenageia o empresário.

Loureiro conta também que a cantora fez tudo o que gostaria de ter feito em vida, e que gravou um DVD em vida, morrendo um dia depois: "Quando começamos a trabalhar juntos, há sete anos, o público da Elza era +34. Hoje é +12 porque Elza é sem dúvida a artista mais moderna que pisou no país", explica.

E segue: "Ela fala o que precisa ser dito sem bater em ninguém, ela quer acolher e ensinar. Ela dizia: ‘Pedro, vocês homens são machistas. Nós, mulheres, criamos vocês machistas. então vou ensinar’.

O empresário ainda avisou que Elza deixa diversas produções póstumas como: um disco, um DVD e dois documentários.

Homenagem na avenida?

"Quando fechamos o enredo de Oxossi entramos em contato e ela se colocou à disposição da escola. Ela desfilaria conosco e viria no último carro alegórico, fechando o desfile", conta Luiz Claudio Ribeiro, vice-presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, que homenageou a cantora no velório nesta sexta-feira (21)

Ribeiro também conta que quer uma homenagem para Elza Soares: "Agora estamos conversando com o Carnavalesco para definirmos como vamos a homenagea-la, porque ela não estará presente de corpo, mas estará em espírito’, explica.

Legado de Elza

Elza Soares, que morreu nesta quinta-feira (20), aos 91 anos, sempre foi considerada um ícone do feminismo. Não por acaso. A cantora conseguiu dar a volta por cima, mesmo após ter uma infância e adolescência difíceis, além de ter sofrido ao longo de seu relacionamento de 16 anos com o jogador de futebol Mané Garrincha — que, coincidentemente, morreu na mesma data, há 39 anos —, marcado por abusos físicos e morais.

Aos 12 anos, Elza foi obrigada a se casar pela primeira vez, a mando do pai, após ter sofrido uma tentativa de abuso sexual por Lourdes Antônio Soares, amigo da família. O objetivo do matrimônio era "não manchar sua honra", como dizia o pai. Ela se tornou mãe aos 13 e passou a se dedicar a isso, mesmo com todas as dificuldades. Dos sete filhos que teve ao longo da vida, perdeu três, sendo que dois, ao que contam os relatos, foram de fome.

Quando viu dois filhos acamados por pneumonia, sem dinheiro para comprar os remédios, ela se inscreveu escondida da família no programa musical de Ary Barroso na Rádio Tupi. Ao ser questionada de onde vinha, ela disse, sem pensar duas vezes: “Do planeta fome". Sua participação lhe rendeu um prêmio em dinheiro, imediatamente convertido em remédios para os filhos. Um deles reagiu à medicação e o outro, infelizmente, morreu. A cantora ficou viúva aos 21 anos, quando Antônio Soares morreu de tuberculose.

Carreira

Elza Soares nasceu em 1937, na favela Maria Bonita, no Rio de Janeiro. Filha de um operário e de uma lavadeira, lutou para sobreviver antes de ser reconhecida como grande artista. Aos 12 anos, foi obrigada pelo pai se casar e, um ano depois, teve o seu primeiro filho, João Carlos.

Ao todo, Elza deu à luz a nove crianças. Cinco delas morreram - três de fome. A sua carreira teve início aos 16 anos, em 1953, quando participou do programa “Calouros em desfile”, de Ary Barroso, na Rádio Tupi, e ganhou o primeiro lugar. Com a visibilidade, ela conseguiu um emprego como crooner na Orquestra Garam de Bailes, do maestro Joaquim Naegli.

Ela trabalhou por um ano com Naegli - até ficar grávida. Porém, logo após ser liberada pelos médicos após o parto, Elza voltou a trabalhar com arte - sendo escalada para contracenar com Grande Otelo na histórica peça “Jour-jou-Fru-fru”, de Silva Filho. Após sair de cartaz, ela acompanhou a Companhia de Mercedes Batista em uma turnê na Argentina.

O seu primeiro disco de estúdio, "Se acaso você chegasse”, foi lançado logo após ela retornar ao Brasil, em 1959, pela Odeon. Com o sucesso da música-título, composta por Lupicínio Rodrigues, ela começou a ganhar reconhecimento e fama pelo Brasil. A sua vida, porém, mudaria, definitivamente, em 1962.

Representando o Brasil na Copa do Mundo no Chile, ela conheceu Garrincha, com quem viveu um romance intenso e conturbado. Os dois se casaram em 1966 e só se separaram em 1982, após seguidas traições do jogador, que sofria com o alcoolismo. Durante o relacionamento, bastante acompanhado pela mídia, elas chegaram até a ser alvos do DOPS, órgão repressivo da ditadura militar.

Em entrevista ao "Programa do Porchat", a artista explicou porque ela e Garrincha precisaram se mudar de casa no Rio de Janeiro após um ataque até hoje mal esclarecido.

“Nós estávamos dentro da casa (na hora do ataque). Eu morava no Jardim Botânico e brincava com as crianças na rua. Depois, entramos e começamos a ouvir um barulho de tiroteio. Minha casa foi toda baleada. Fiquei completamente apavorada por causa dos filhos, das crianças", contou ela.

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