Le Pen diz que cogita controle de capital em eventual saída da UE caso vença eleição

Marine Le Pen concede entrevista à Reuters em Paris 2/5/017 REUTERS/Charles Platiau

PARIS (Reuters) - A candidata presidencial francesa de extrema-direita Marine Le Pen se recusou a descartar os controles de capital se for eleita e houver uma corrida aos bancos enquanto negocia a desfiliação da França da União Europeia, o chamado Frexit, mas enfatizou que dificilmente eles serão necessários.

Em uma entrevista à Reuters antes do segundo turno da eleição, no domingo, Le Pen reafirmou que quer descartar o euro e disse esperar que o povo francês tenha sua própria moeda dentro de dois anos.

Le Pen disse querer substituir a moeda única da UE por outro tipo de cooperação mais frouxa, no caso a cesta de moedas da Unidade Monetária Europeia (ECU) que antecedeu o euro e que coexistiria com uma moeda nacional.

"O objetivo é transformar a 'moeda única' euro em uma 'moeda comum' euro, voltando ao ancestral do euro, o ECU, que era uma unidade de contabilidade que não impedia que cada país tivesse sua própria moeda", explicou a presidenciável.

Classificando o euro como um peso morto na economia francesa, a candidata da Frente Nacional disse que uma nova moeda nacional protegeria melhor as poupanças dos franceses. Ela acusou o "establishment" de querer "amedrontar" as pessoas para que elas pensem diferente.

"Estou convencida de que não haverá nenhuma crise bancária", afirmou ela quando indagada se as negociações de Paris para sair da UE poderiam desencadear uma corrida aos bancos.

Quando questionada se imporia controles de capital caso os correntistas corressem para retirar seu dinheiro dos bancos, ela respondeu: "Se houver uma corrida aos bancos, poderíamos muito bem imaginar tal solução por alguns dias, mas estou lhe dizendo que não irá acontecer".

Le Pen afirmou que lançaria negociações sobre as reformas da UE imediatamente depois de vencer, dizendo que isso permitiria à França recuperar a soberania nacional.

Essas negociações podem durar de seis a oito meses, disse ela, após isso a França realizaria um referendo sobre sua adesão à UE.

(Por Ingrid Melander, Simon Carraud e Johnny Cotton)