Legisladores dos EUA pedem a remoção de huthis do Iêmen da lista de "terroristas"

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Prisioneiros Houthis iemenitas libertados entoam slogans ao chegarem no aeroporto da capital Sanaa

Nesta segunda-feira (11), legisladores norte-americanos insistiram para uma rápida reversão da decisão do secretário de Estado, Mike Pompeo, de designar os huthis do Iêmen como grupo terrorista, argumentando que isso piora uma crise humanitária existente.

"A designação dos huthis como organização terrorista é uma sentença de morte para milhares de iemenitas", disse o senador Chris Murphy, um dos principais membros do Partido Democrata do presidente eleito Joe Biden.

Como ele escreveu em sua conta no Twitter, essa designação "cortará a ajuda humanitária, tornará as negociações de paz quase impossíveis e fortalecerá o Irã. Biden deve reverter essa política desde o primeiro dia".

Pompeo desafiou os avisos de grupos humanitários na noite de domingo e anunciou a medida contra os insurgentes, que entrará em vigor em 19 de janeiro, um dia antes de Biden assumir o cargo até agora detido pelo magnata republicano Donald Trump.

Os huthis contam com o apoio político do Irã, ferrenho inimigo dos Estados Unidos e grande rival regional da Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita.

Esses rebeldes controlam grande parte do Iêmen e enfrentam uma ofensiva sangrenta de uma coalizão liderada pelos sauditas em um contexto em que milhões de pessoas dependem da assistência humanitária para sobreviver.

"Nenhuma solução no Iêmen será sustentável a menos que os huthis estejam envolvidos. Ao designar todos os huthis como uma organização terrorista estrangeira, o governo Trump está apenas empurrando uma solução política para o conflito além de seu alcance", disse Gregory Meeks, o democrata que chefia o Comitê de Relações Exteriores da Câmara.

Meeks pediu uma "revogação rápida", mas advertiu: "Mesmo que o governo Biden revertesse rapidamente a designação, o dano já estaria feito".

Também do lado republicano há reações contrárias. O senador Todd Young, que rompeu com o presidente Trump sobre a questão do Iêmen, disse que a ação de Pompeo "desestabilizará ainda mais um país devastado pela guerra" e impedirá que grupos de ajuda humanitária forneçam alívio vital à população.

Desencadeado em 2014 por uma ofensiva huthi que tomou grandes áreas do território, principalmente no norte, incluindo a capital Sanaa, o conflito iemenita causou dezenas de milhares de mortes, segundo ONGs internacionais.

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