'Lei não fala em escolher o mais votado', diz Claudio Castro sobre eleição de Procurador-Geral de Justiça

O Globo
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RIO — O governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC), disse que não vai se comprometer em escolher o nome mais votado da lista tríplice de candidatos ao posto de Procurador-Geral de Justiça do Estado (PGJ). A declaração foi feita durante entrevista na Rádio "CBN", na manhã desta quarta-feira.

— Eu vou respeitar a Lei. A Lei fala que tenho que escolher um nome entre a lista tríplice, não o mais votado. O que eu tenho que respeitar é a Constituição Federal. Ela diz que o chefe do Executivo decidirá em lista tríplice, não fala em escolher o mais votado — disse Castro.

Cládio Castro disse ainda que pretende não apenas se encontrar e conversar com o trio que compõem a lista, mas com outros candidatos que perderam a eleição realizada entre os integrantes do Ministério Público do Rio (MPRJ).

— Vou ouvir os três candidatos, chamar os três para o diálogo. Estou avaliando até se não chamo os cinco, até os dois que perderam. Porque pode haver alguma desistência, algum dos três pode renunciar. Isso não pode ser uma eleição de classe, tem que ser uma eleição para o bem do Estado. Então nós vamos olhar qual dos três combina mais com o jeito do governo do estado tocar as coisas. Há situações hipercomplexas como Cedae, estação Gávea do metrô (...) São situações muito mais importantes do que a situação criminal que infelizmente se politizou. O mais importante é a questão do governo e da governabilidade, de avançar o estado — argumentou o governador.

Os postulantes à chefia do MPRJ assinaram um compromisso de não assumir o cargo caso não fosse o primeiro colocado. A exceção foi do procurador Marcelo Rocha Monteiro, que teve 8,3% dos votos e ficou em quarto lugar. Monteiro é bolsonarista, e chegou a fazer campanha nas redes sociais em favor da candidadura do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

O futuro chefe do MP estadual teria que lidar com o inquérito em que Flávio foi denunciado por prática de "rachadinhas" em seu gabinete, quando era deputado estadual. Também estão a cargo do órgão as investigações contra outros deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pela prática de "rachadinhas" e a apuração sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco.

A última vez em que o PGJ nomeado não foi o mais votado aconteceu em 2003, com Antonio Vicente, que exerceu a chefia do MPRJ até 2006.