Lei que barra empresas da China das Bolsas dos EUA será revisada na Câmara, diz Nanci Pelosi

WASHINGTON - A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, disse que a Casa revisará a legislação que imporia restrições às empresas chinesas listadas nas Bolsas de Valores dos EUA, embora não tenha chegado a prometer uma votação.

Pelosi disse em uma entrevista à Bloomberg Television nesta quinta-feira que a legislação aprovada pelo Senado -- que poderia levar algumas empresas chinesas a serem barradas nas Bolsas americanas -- não passou por nenhum debate, de modo que a Câmara teria que considerá-la cuidadosamente.

"Vamos analisá-la", disse ela. "Pedi a minhas comissões que dessem uma olhada nos detalhes".

Ela observou que a lei teve um apoio esmagador de membros de ambos os partidos no Senado.

Projeto complementar

O projeto de lei do Senado, apresentado por John Kennedy, republicano da Louisiana, e Chris Van Hollen, democrata de Maryland, foi aprovado quarta-feira por unanimidade, e exigiria que empresas como Alibaba e Baidu atestassem que não estão sob o controle de um governo estrangeiro.

O representante democrata Brad Sherman, da Califórnia, introduziu uma legislação complementar na Câmara no mesmo dia, uma indicação de que provavelmente haverá apoio bipartidário lá.

Em meio a relações cada vez mais tensas entre as duas maiores economias do mundo, os parlamentares estão se concentrando em maneiras de pressionar a China de vários ângulos, incluindo o tratamento de minorias étnicas e religiosas pelo país asiático, a censura implementada por Pequim e a forma como o governo local lidou com o surto inicial de coronavírus em Wuhan.

"Não fico atrás de ninguém no Congresso nas minhas críticas à China", disse Pelosi. "O fato é que precisamos ter um relacionamento com a China e assim julgamos todas as ações do país à luz do que isso significa para nós e para eles".

De acordo com a legislação do Senado, se uma empresa não pode mostrar que não está sob controle de um governo estrangeiro, ou o Conselho de Supervisão Contábil de Empresas Abertas não puder auditar a empresa por três anos consecutivos para determinar se é esse o caso, o os valores mobiliários da empresa seriam banidos das negociações

Pressão contra Pequim

A legislação ilustra a crescente pressão bipartidária contra a China no Congresso, que vinha se concentrando no comércio e em outras questões. Foi amplificado especialmente pelos republicanos, já que o presidente Donald Trump tenta culpar a China pela pandemia do novo coronavírus.

Trump intensificou sua retórica contra a China na noite de quarta-feira, sugerindo que o presidente Xi Jinping está por trás de um "ataque de desinformação e propaganda nos Estados Unidos e na Europa".

Entre outras questões, os membros do Congresso também alertam sobre os bilhões de dólares que vão para algumas das maiores corporações da China, grande parte deles proveniente de fundos de pensão e doações de universidades em busca de retornos gordos de investiment.

Alega-se que o dinheiro americano está financiando os esforços das gigantes tecnológicas chinesas para galgar posições de liderança em áreas como inteligência artificial, direção autônoma e coleta de dados na Internet.

Perda na Nasdaq com faturamento falso

Os legisladores também disseram que se trata de proteger os investidores.

"Não quero entrar em uma nova Guerra Fria", disse Kennedy no plenário do Senado, acrescentando que deseja que "a China cumpra as regras".

Van Hollen disse que a lei é uma questão de dar aos investidores "a transparência de que precisam para tomar decisões informadas".

Ao introduzir sua medida na Câmara, Sherman disse que a Nasdaq decidiu esta semana retirar de sua listagem de empresas a Luckin Coffee, com sede na China, depois que executivos da companhia admitiram ter inventado US$ 310 milhões em vendas entre abril e dezembro de 2019.

"Se essa legislação já tivesse sido aprovada, os investidores americanos da Luckin Coffee provavelmente teriam evitado perdas de bilhões de dólares", disse Sherman em comunicado.

Está ainda em questão a recusa de longa data da China em permitir que o Conselho Contáveil examine auditorias de empresas cujas ações são negociadas na Bolsa de Nova York, Nasdaq e outras plataformas dos EUA. As inspeções da agência pouco conhecida, criada pelo Congresso em 2002 em resposta ao enorme escândalo contábil da Enron Corp., destinam-se a evitar fraudes e irregularidades que possam acabar com o dinheiro dos acionistas.

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