Leia a carta enviada pela Pfizer ao governo Bolsonaro em setembro

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Carta do CEO da Pfizer foi enviada ao governo em setembro, mas ficou sem resposta até novembro (Foto: Getty Images)

Em 12 de setembro, a Pfizer enviou uma carta ao governo federal, endereçada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para fazer um acordo pelas vacinas contra a covid-19. O documento ficou dois meses sem resposta, até que o então secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, alertou o presidente sobre o documento

Fabio Wajngarten foi avisado sobre o documento por Marcelo Carvalho, dono da RedeTV. Uma apresentadora do canal é casada com um executivo da Pfizer e alertou Carvalho sobre a carta, há meses sem resposta. 

O documento não especifica o número de vacinas que seriam disponibilizadas ao Brasil, mas dá preferência ao país para comprar imunizantes. A empresa alerta que é preciso avisar sobre o interesse na compra, já que a Pfizer já tinha acordos de venda de vacinas para Estados Unidos e União Europeia.  

Na ocasião, o imunizante ainda estava em desenvolvido, mas o CEO da empresa, Albert Bourla, considerava a vacina como sendo de grande potencial. "É uma opção muito promissora para ajudar o seu governo a mitigar esta pandemia", alega Bourla na carta ao presidente Bolsonaro. 

Leia a carta, de 12 de setembro, na íntegra: 

"Excelentíssimo senhor Jair Messias Bolsonaro

Presidente da República Federativa do Brasil

Excelentíssimo senhor presidente da república Jair Bolsonaro

Na luta contra COVID-19, uma vacina é parte crítica para lidar com a crise de saúde global, diminuindo as taxas de infecção, doença e morte em todo mundo. A Pfizer tem estado na linha de frente no enfrentamento desta pandemia que afeta brasileiros e pacientes em todo mundo, desde os primeiros dias desta emergência. A Pfizer foi fundada na cidade de Nova York, está sediada nos Estados Unidos há mais de 170 anos, e opera no Brasil a aproximadamente 70 anos. Junto com o nosso parceiro, a empresa alemã BioNtech, estamos aproveitando décadas de experiência científica para desenvolver testar e fabricar uma vacina de mRNA para ajudar a prevenir a infecção pela COVID-19. Atualmente, estamos conduzindo um ensaio clínico em grande escala de fases 2/3 com pelo menos 30.000 participantes em um grupo seleto de países em todo mundo, incluindo dois centros de pesquisa no Brasil com cerca de 2000 brasileiros voluntários. Estamos no caminho certo para buscar uma revisão regulatório de nossa vacina em outubro de 2020, com centenas de milhares de doses já produzidas.

A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar o seu governo mitigar esta pandemia. Quero Pfizer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para população brasileira, porém o celeridade é crucial devido a alta demanda de outros países e é um número limitado de doses em 2020. Como deve ser do conhecimento de vossa excelência, fechamos um acordo com o governo dos Estados Unidos para fornecer 100 milhões de doses de nossa potencial vacina, com a opção de oferecer 500 milhões de doses adicionais. A Pfizer tem o maior contrato com os Estados Unidos em termos de valor para uma vacina contra convide 19 até o momento, demonstrando a confiança que a administração do presidente Donald Trump e tem em nossa ciência e nossa capacidade de produção. O Dr. Monceg Slaoui, Conselheiro Chefe da Operação Warp Speed, Do governo dos Estados Unidos, visitou instalação da faz ir que está produzindo nossa vacina COVID-19 e que poderia abastecer o Brasil. Temos ainda a cor dos com o Reino Unido Canadá Japão e vários outros países, estamos em negociações finais com a União europeia para fornecer 200 milhões de doses, como a opção de fornecimento adicional de mais 100 milhões de doses.

Finalmente, como presidente mundial da Pfizer, estou orgulhoso em assinar um acordo histórico demonstrando um compromisso unificado em manter a integridade do processo científico enquanto trabalhamos para obter os registros regula tório e aprovações das primeiras vacinas contra a COVID-19. Caso vossa excelência ao membros de sua equipe tenham alguma dúvida não hesite em entrar em contato comigo diretamente ou com minha equipe no Brasil incluindo o presidente de nossa subsidiária no país Carlos Murillo.

Atenciosamente,

Dr. Albert Bourla"

Primeira página da carta da Pfizer, enviada ao governo do Brasil em setembro - Foto: Reprodução
Primeira página da carta da Pfizer, enviada ao governo do Brasil em setembro - Foto: Reprodução

A carta está também endereçada ao vice-presidente, Hamilton Mourão, ao então ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster. 

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