Leilão da Dutra e da Rio-Santos promete soluções para uma das rotas mais belas do estado, hoje repleta de problemas

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Assunto de especial interesse para turistas e moradores da Costa Verde, a concessão conjunta da Via Dutra e da Rodovia Rio-Santos (BR-101) promete soluções para uma das rotas mais belas do estado — e, ao mesmo tempo, uma das que oferecem mais armadilhas pelo caminho. O leilão está marcado para o dia 29 de outubro. Melhor cobertura asfáltica e duplicação de pistas estão entre as benfeitorias previstas no edital aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Hoje, buraqueira, quedas de barreira, falta de acostamento, radares mal sinalizados e engarrafamentos intermináveis nos fins de semana de sol fazem parte da rotina da Rio-Santos, entre o mar azul e o verde da Mata Atlântica.

A licitação será realizada na modalidade leilão, com critério de julgamento pelo maior valor de outorga fixa combinado à menor tarifa de pedágio. O contrato, de 30 anos, prevê investimentos de R$ 14,5 bilhões. Na BR-101, a concessionária terá a incumbência de realizar 80,2 quilômetros de duplicações e 2,2 quilômetros de túneis, com saídas para gargalos que causam prejuízos à economia da região. Também será levado em conta o plano de evacuação em caso de acidente nas usinas nucleares de Angra dos Reis.

Os prefeitos locais apoiam a privatização, que, no estado do Rio, alcançará 124,9 quilômetros da Dutra e 218,2 quilômetros da BR-101. Entre pontos do edital que ainda inspiram controvérsia destaca-se a instalação de três praças de pedágio — em Itaguaí, Mangaratiba e Paraty. Procurada, a ANTT respondeu que “não é mais possível fazer alterações no projeto”.

— Na audiência pública, não concordei com pedágio, já que a duplicação da estrada só vai acontecer até Angra. Por que Paraty só fica com o ônus, se não vai ter o bônus? — protesta Luciano Vidal, prefeito da cidade. O trecho do nosso perímetro é o melhor da rodovia inteira, resultado da nossa luta por melhorias em 2013, como contrapartida da usina Angra 3. Entre Angra e o Rio, a estrada está horrível.

Desenvolvimento

Apesar da queixa, Vidal reconhece que as obras na estrada poderão contribuir para o “desenvolvimento da região”. Fernando Jordão, prefeito da vizinha Angra dos Reis, faz coro:

— Há mais de 20 anos falam na duplicação da rodovia. Estou muito feliz. Será bom para os municípios que a BR-101 corta. Já levei sete horas para dirigir até o Rio.

No trecho entre Rio e Angra, um dos que estão em pior estado, o percurso a partir de Itacuruçá terá pistas duplicadas. O prefeito de Mangaratiba, Alan Bombeiro, afirma que, apesar dos transtornos as obras trazem, vê a concessão como uma forma de resolver definitivamente gargalos no trânsito. A agenda de conclusão dos trabalhos de duplicação pode ir até o oitavo ano de operação — caso das pistas entre Mangaratiba e Angra. A melhoria da qualidade do asfalto, no entanto, é compromisso imediato. Basta rodar de carro pela região para verificar que parte da estrada encontra-se em estado calamitoso.

— Não faz muito tempo perdi um vizinho atropelado — conta a dona de casa Dulce Helena Rodrigues, de 47 anos, moradora do bairro da Palha, em Mangaratiba. — Aqui, muitas pessoas andam a pé ou de bicicleta pela Rio-Santos, mas não tem acostamento.

Hoje, apenas o percurso de Santa Cruz, no Rio, a Itacuruçá, é duplicado. De Angra dos Reis a Paraty, um recapeamento recente melhorou as condições da via, mas são muitas as partes em situação precária, com buracos e pedras soltas. Para complicar, deslizamentos de terra costumam interromper o trânsito a cada temporal. Na altura do quilômetro 421, a Prefeitura de Mangaratiba fez obras de contenção após uma encosta desabar sobre a via.

Os únicos que não têm o que lamentar são borracheiros e mecânicos. Ana Vitória Santos de Oliveira, de 19 anos, conserta pneus e tem uma loja na entrada de Angra dos Reis. Seu dia a dia é intenso.

— Os motoristas reclamam muito. Chegam com pneus furados, rodas empenadas, isso quando não cortam o pneu e têm que trocar tudo. É muito buraco — diz Ana.

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