Leilão de objetos apreendidos na Lava-Jato arrecada meio milhão com venda de quadros e vinhos

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RIO - O leilão de peças apreendidas pela operação Lava-Jato no Rio arrecadou, nessa segunda-feira, R$ 528 mil com a venda de quadros, obra de arte, vinhos e relógios. A maioria dos itens vendidos era do ex-presidente da Fecomércio, Orlando Diniz. Dos 30 lotes oferecidos, oito foram vendidos e 22 não receberam nenhum lance.

O item mais caro leiloado foi um quadro de R$ 280 mil de Beatriz Milhazes que era de Orlando. Também foi vendido, por 86 mil, uma obra de Vik Muniz. Os dois vinhos com safras mais antigas - de 1937 e 1964 - não receberam nenhum lance. Ambos vão a leilão novamente no próximo dia 11 com preços reduzidos.

O lance inicial do Porto Burmester Colheita de 1937 caiu de R$ 3,1 mil para R$ 2,5 mil. Já o Taylor's Very Old Single Harvest de 1964 teve o preço reduzido de 2,4 mil para 1,9 mil.

Foram vendidos dois lotes de vinhos, ambos de Orlando. Um deles, com dois vinhos Château Mouton Rothschild, de Bordeaux, na França, da safra de 2010 e 2012, foi arrematado por R$ 9,2 mil. Eles estão entre os mais valorizados do mundo. Já o segundo lote vendido, com cinco garrafas de bebida, custou R$ 10 mil.

Todas as peças que não foram arrematadas irão novamente a leilão no próximo dia 11. Os lances devem ser feitos online até as 11h. Ficaram encalhados um Dodge de Orlando, relógios, vinhos e um quadro. Um dos lotes encalhados contém quatro garrafas do vinho Cheval Blanc 2003, de Saint-Émilion, na França.

Também não recebeu lances uma lancha de Rafael Libman, considerado operador financeiro do doleiro Dario Messer. O barco é avaliado em R$ 100 mil, mas será leiloado a valor inicial de R$ 80 mil no próximo pregão.

Leilão de bens é parte de acordo de delação

Advogada de Orlando, Juliana Bierrenbach explica que a perda desses bens faz parte do acordo de colaboração premiada assinado pelo seu cliente no ano passado.

— No acordo, foi mantida sua liberdade, mas a perda dos bens foi uma condição, já que o próprio admitiu que muitos foram fruto direta ou indiretamente das atividades que ele confessou — explicou a advogada.

Orlando foi acusado de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Em seu acordo de colaboração, ele admitiu ter repassado dinheiro para diferentes bancas de advocacia do Rio enquanto presidente da Fecomércio, mesmo sem qualquer prestação de serviço.

No acordo, além dos itens que irão a leilão, Orlando ainda abriu mão de seu apartamento no Leblon, na Rua Aristides Espínola, na quadra da praia, e de uma casa no Condomínio Portobello, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio.

Desde o ano passado, os leilões de bens apreendidos por ordem judicial são organizados pela Senad e fazem parte de uma política do Ministério da Justiça, que tem intensificado a venda de bens de criminosos no intuito de reverter o dinheiro arrecadado para a União e para os Estados.

A Senad, apesar de ter sido uma secretaria criada inicialmente para ter como foco o combate às drogas, trabalhará no leilão de bens apreendidos relacionados a qualquer atividade criminosa. Antes da iniciativa da secretaria de investir nos leilões, essa venda de bens ficava concentrada nas mãos dos juízes de cada processo, que precisavam providenciar os trâmites do certame. Todos os bens que vão a leilão precisam de autorização judicial.