Leitores compartilham estratégias para parar de fumar; veja dicas

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 09.07.2020 - Fumantes na região do Largo São Bento. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 09.07.2020 - Fumantes na região do Largo São Bento. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - É melhor parar de fumar abruptamente ou de forma gradativa? Usando como arma medicamentos ou exercícios físicos? Ou, então, a saída são produtos à base de nicotina como chicletes e adesivos para auxiliar no processo? Todas essas foram alternativas apontadas por leitores da Folha para abandonar o cigarro.

Para o Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, eles compartilharam suas estratégias para parar de fumar.

Medo de desenvolver doenças, melhora no desempenho físico e aparência, o odor pelo corpo e roupas, além de assistir a entes queridos padecerem com o tabagismo são os principais motivos que os levaram a parar de fumar.

Durante o processo ou após abandonar o hábito, os leitores perceberam melhora no fôlego, na aparência e no desempenho sexual, dizem ainda que os dentes ficaram mais limpos e têm mais sensibilidade no paladar. Por outro lado, muitos se queixaram do aumento do peso.

O aposentado Roberto Eduardo De Faria, 60, fumava cerca de 30 cigarros por dia e começou a parar reduzindo o número de cigarros. Após o primeiro maço do dia, ele decidiu que não abriria o segundo. Com isso, estabeleceu que seriam 20 unidades diárias durante um mês. Nos 90 dias seguintes, continuou diminuindo até chegar a zero.

"[Me sinto] totalmente melhor em tudo: sexualmente, tenho fôlego para caminhar, nadar", conta. "Minha pele clareou, meu paladar também melhorou muito."

Paulo Cezar Coutinho, 71, usa estratégia semelhante. Fumava cerca de um maço de cigarro por dia. Hoje, são 10. Mesmo ainda fazendo uso do tabaco, já se sente melhor.

Há também quem opte por medicamentos. Substâncias como a bupropiona ajudam no processo de parar de fumar.

Leitores também trataram a causa do problema, como a ansiedade, e com a ajuda de ansiolíticos deixaram o vício. Nesse caso, o medicamento deve ser prescrito por um médico e o acompanhamento geralmente é feito por um psiquiatra.

Essa foi a estratégia de Pedro Macedo Duprat, 34, que optou pelo tratamento medicamentoso. Hoje, ele sente a comida mais gostosa, se vê mais bonito e dorme melhor. A qualidade das relações sexuais também aumentaram.

O processo nem sempre é rápido. No caso da médica Cecilia Amelia Fazzio Escanhoela, 64, levou mais de dez anos. Fumante desde os nove anos de idade, sua primeira estratégia foi acender o primeiro cigarro só depois do almoço, com uma redução proporcional na quantidade que fumaria no resto do dia. Fez isso durante cinco anos.

Em seguida, Escanhoela decidiu que o primeiro cigarro viria somente depois do jantar, o que manteve por cerca de mais cinco anos. A decisão derradeira foi diminuir gradativamente o quanto fumava antes de dormir, indo de três unidades a uma.

"Confesso que retirar esse único cigarro antes de dormir foi a pior fase. Mas, há 2 anos e 4 meses, parei definitivamente", conta.

Leitores também contam que escolheram um dia para parar de fumar. Determinaram uma data, que poderia ser o dia seguinte ou em um ano, e pararam. Se prepararam para que após este dia não houvesse mais cinzeiros, cigarros, isqueiros e outros produtos que estimulavam o hábito de fumar.

Muitas vezes o processo fica ainda mais difícil quando o álcool está envolvido. Muitos, então, optaram por parar de beber durante o processo, uma vez que os hábitos são frequentemente associados.

O psicanalista Bruno Cervilieri Fedri, 42, por exemplo, parou de sair com os amigos, especialmente aqueles que fumavam. "Também [parei] de ir a bares, pois a cerveja provocava minha vontade de fumar. Foi em 2018 e desde então nunca mais voltei ou senti falta. Hoje vou a bares com amigos que fumam e não sinto a menor vontade", afirma.

Outra bebida que os leitores evitaram para ajudar no processo foi o café. "Eu evitei o café pois estimulava meu hábito", conta a empresária Adriana Zazula, 48. "Me sinto muito melhor. O cardio, o cheiro, a pele e a disposição."

Há aqueles que começam a frequentar grupos de apoio, que podem envolver uma equipe técnica qualificada para auxiliar os participantes no processo, como também podem ser apenas uma reunião com pessoas que desejam parar de fumar e apoiam umas às outras.

Participar de um deles por um ano foi o que ajudou a aposentada Márcia Gama de Almeida Reis, 64, a parar de fumar há cerca de 15 anos. Mesmo com o ganho de peso, considera uma "vitória".

A servidora federal Eliane Augusta de Souza Cunha, 52, percebeu o fim da rouquidão, a diminuição do cansaço e a melhora no paladar. "Ficava cansada como se tivesse corrido uma maratona", escreveu. Em contrapartida, lembra que ganhou 15 kgs.

Com o publicitário Tassio Souza Couto, 40, o que aconteceu foi o contrário: ele perdeu peso. Conseguiu correr com mais intensidade e ganhar massa muscular, melhorando, assim, sua forma e condição física. "Minha aparência melhorou muito, voltou a parecer que tenho a idade que tenho", conta.

O cheiro das roupas e do corpo também muda. Foi um dos primeiros efeitos que a publicitária Juliana Dantas de Andrade, 52, sentiu ao deixar o tabaco.

"Primeiro, vi melhora no paladar, hálito, cheiro das roupas, cabelos e mãos. Depois você percebe que caminha muito melhor, sobe uma escada mais tranquila. Mas a maior melhora é na auto-estima, perceber que se sou capaz de largar esse vício tão complicado, sou capaz de quase tudo. Essa força de vontade é força motriz para muitos outros projetos de vida", conta.

Voltar a sentir o gosto dos alimentos com intensidade foi outro fator mencionado pelos leitores com frequência. A crítica de arte Sheila Leirner lembra, por exemplo, que foi "maravilhoso" conseguir sentir o sabor da cenoura ralada.

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