Leitores vão eleger o melhor samba da década entre dez selecionados

Rafael Galdorafael.galdo@oglobo.com.br

A trilha sonora dos desfiles do Grupo Especial em 2020 já está pronta: o CD com os samba-enredos do próximo carnaval será oficialmente lançado amanhã, Dia Nacional do Samba, com festa na quadra do Salgueiro. Com essa leva de hinos saindo do forno, o EXTRA e O Globo abrem enquete para o público escolher qual dos sambas-enredos da safra de 2011 a 2019 (foram excluídos apenas os sambas de 2020, ainda por ganhar a Avenida) merece o título do melhor da década até agora.

Dez estão no páreo, eleitos por um júri de 12 sambistas e especialistas da folia, parte deles integrante do prêmio Estandarte de Ouro, promovido pelo EXTRA e O Globo. Cada um votou em seu top 10. Os dez mais citados vão a votação na internet (bit.ly/33vvLG4), aberta até o dia 10 de janeiro. Houve um empate de três sambas nas duas últimas colocações, e coube ao jurado Mauro Diniz, único que não tinha escolhido nenhum deles, dar o voto de Minerva.

Alguns caíram no gosto popular, como o da vitória da Mangueira em 2019, que homenageou os heróis esquecidos da história brasileira, regravado recentemente por Maria Bethânia, e o do Paraíso do Tuiuti em 2018, que se espalhou pelo país ao questionar se a escravidão, de fato, acabou. Outros mexeram nas estruturas do estilo musical, como o do refrão “Madureira sobe o Pelô”, da Portela, em 2012, com características que se aproximam do samba de roda e do partido alto.

— Foi o samba que acordou a escola, depois de alguns carnavais bem lamentáveis — lembra o jornalista Marcelo de Mello, um dos jurados.

A lista tem artistas famosos da MPB. O “Festa no arraiá” da Vila Isabel, de 2013, reúne Martinho da Vila, Arlindo Cruz e um time de campeões das quadras. Já Paulo César Feital, compositor de canções interpretadas por Chico Buarque e Milton Nascimento, concorre em duas frentes: assina o samba da Mocidade 2018, sobre a Índia, com Altay Veloso e companhia; e ainda “O alabê de Jerusalém”, da Viradouro 2016.

Cantor de sucessos do pagode, Xande de Pilares é um dos autores de “Gaia, a vida em nossas mãos”, levado em 2014 pelo Salgueiro, que tem na briga ainda seu “malandro batuqueiro”, de 2016. Já a Beija-Flor entra com seus hinos de 2017, sobre Iracema, e de 2018, que cantou mazelas do Brasil e incendiou a Sapucaí após o desfile.

Quem escolheu os melhores

Alberto Mussa, escritor; Dorina, cantora e radialista; João Gustavo Melo, jornalista; Leonardo Bruno, jornalista; Luís Filipe de Lima, violonista e compositor; Luiz Antônio Simas, historiador e compositor; Marcelo de Mello, jornalista; Mauro Diniz, cantor e compositor; Pretinho da Serrinha, cantor, compositor e instrumentista; Paulinho Mocidade, cantor e compositor; Rachel Valença, pesquisadora; e Sombrinha, cantor, compositor e instrumentista.

CONFIRA OS SAMBAS MAIS VOTADOS

Mangueira, 2019

“História para ninar gente grande”

Compositores: Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira, Danilo Firmino e Manu da Cuíca

Trecho: “Brasil chegou a vez / De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”

Beija-Flor, 2018

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”

Compositores: Di Menor BF, Kirazinho, Diogo Rosa, Julio Assis, Bakaninha, Diego Oliveira, JJ Santos, Manolo, Rafael Prates

Trecho: “Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora / Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola”

Mocidade, 2018

“Namastê, a estrela que habita em mim saúda a que existe em você”

Compositores: Altahy Veloso, Zé Glória, Paulo Cesar Feital, J Giovanni, Denilson do Rosário, Alex Saraiça e Carlinhos da Chácara e T. Meiners

Trecho: “Ronca na pele do tambor da eternidade / O amor da Mocidade sem início, meio e fim!”

Tuiuti, 2018

“Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”

Compositores: Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal

Trecho: “Meu Tuiuti, o quilombo

da favela /É sentinela da libertação”

Beija-Flor, 2017

“A virgem dos lábios de mel – Iracema”

Compositores: Claudemir, Maurição, Ronaldo Barcellos, Bruno Ribas, Fábio Alemão, Wilson Tatá, Alan Vinicius e Betinho Santos

Trecho: “Oh linda Iracema morreu de saudade / Mulher brasileira de tanta coragem”

Salgueiro, 2016

“A ópera dos malandros”

Compositores: Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga, Getúlio Coelho, Ricardo Fernandes e Francisco Aquino

Trecho: “É que eu sou malandro batuqueiro / Cria lá do Morro do Salgueiro”

Viradouro, 2016

“O Alabê de Jerusalém, a saga

de Ogundana!”

Compositores: Paulo César Feital, Zé Gloria, Felipe Filósofo, Maria Preta, Fabio Borges , William, Zé Augusto e Bertolo

Trecho: “Um país que tem coroa assim tão forte / Não pode abusar da sorte / Que lhe dedicou Olorum”

Salgueiro, 2014

“Gaia, a vida em nossas mãos”

Compositores: Xande de Pilares, Dudu Botelho, Miudinho, Betinho de Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa

Trecho: “Gaia... Terra viva... A riqueza / Gira o mundo meu cenário / Relicário de beleza”

Vila Isabel, 2013

“A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo. Água no feijão que chegou mais um”

Compositores: Arlindo Cruz, Martinho da Vila, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel

Trecho: “Festa no arraiá / É pra lá de bom / Ao som do fole, eu e você”

Portela, 2012

“E o povo na rua cantando... É feito uma reza, um ritual...”

Compositores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo

Trecho: “Madureira sobe o Pelô, tem capoeira / Na batida do tambor, samba ioiô”