Leitos públicos de UTI para Covid-19 se esgotam em cidades da região de Ribeirão Preto

MARCELO TOLEDO
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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Os leitos públicos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis para pacientes diagnosticados com Covid-19 alcançaram 100% de ocupação nesta segunda-feira (15) na maioria dos hospitais de Ribeirão Preto e em cidades da região metropolitana. Em três municípios, a ocupação ultrapassa a capacidade de atendimento. O avanço da pandemia do novo coronavírus fez com que 7 dos 10 hospitais que disponibilizam vagas exclusivas para contaminados pelo vírus em Ribeirão, incluindo dois da rede privada, ficassem sem nenhum leito disponível no decorrer da tarde. Desde a última quinta-feira (11), o total de internados em UTIs passou de 208 pacientes para 236, o que representa 96,3% de ocupação --são 245 vagas. Em quatro dias, o total de internados cresceu 13,4%. Naquele dia, a cidade tinha 231 leitos, ou seja, se não tivesse aberto 37 novas vagas desde então, já teria deixado cinco pacientes sem possibilidade de ir para leitos intensivos. Mas já há pacientes no polo Covid criado pela prefeitura à espera de vagas em hospitais. O número de internados na cidade, incluindo enfermarias, chegou a 418 nesta segunda-feira, recorde de toda a pandemia na cidade. Na quinta, eram 390. Transferir pacientes de Ribeirão Preto para municípios da região metropolitana não é uma hipótese a ser considerada nesta segunda, já que as redes de saúde de cidades como Sertãozinho, Serrana, Monte Alto, Mococa e Batatais também não têm mais leitos de UTI disponíveis. Em Monte Alto, há 16 vagas de UTI para atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e por convênios, mas há 18 pacientes internados --14 da cidade e 4 de outras quatro localidades. Segundo a prefeitura, como a capacidade máxima foi ultrapassada, leitos de enfermaria e de UTI que não são de Covid-19 estão sendo utilizados junto aos convênios. "A prefeitura está montando mais leitos de enfermaria, credenciando leitos de UTI e também leitos de emergência, que manterão o paciente estabilizado até o encaminhamento para a UTI Covid", diz a administração. Já em Mococa, a ocupação em leitos de UTI chegou a 123% nesta segunda, com 16 pacientes, segundo a Vigilância Epidemiológica, para um lugar que comporta 13. A opção tem sido criar vagas às pressas para atender a demanda, segundo o diretor municipal de Saúde, Luiz Nicanor Bettiol Junior. Em Batatais, há 7 leitos na UTI da Santa Casa de Misericórdia e 7 pacientes internados, 1 deles de outra cidade. Na enfermaria, a ocupação é ainda maior, 116,67%. Também foi preciso criar vaga onde não existia. Já em Sertãozinho, são 10 leitos de UTI, todos também ocupados conforme boletim da Secretaria da Saúde. Na enfermaria, as 9 vagas estão em uso. Nas últimas 72 horas, a cidade registrou 8 mortes de pessoas que estavam internadas nos hospitais Netto Campello e Santa Casa, ambos em Sertãozinho, e nos hospitais privados Unimed e Ribeirânia, em Ribeirão Preto. "[É] O maior número [de mortes] registrado no município desde o início da pandemia", diz comunicado da prefeitura. Até aqui, são 182 óbitos na cidade de 127 mil habitantes. Serrana, município que está sendo alvo de aplicação em massa da primeira dose da vacina Coronavac num estudo do Butantan, também tem 100% de ocupação de leitos de UTI no Hospital Estadual, segundo o médico Marcos Borges, um dos coordenadores do estudo. A cidade tem dez leitos. Os índices de Ribeirão Preto e dessas cinco cidades da região metropolitana superam a taxa de ocupação dos leitos de UTI nesta segunda-feira no estado, que está em 89%. Na Grande São Paulo, chega a 90,5%. Até mesmo onde ainda havia vagas na manhã desta segunda, caso de Jaboticabal, a ocupação está acima da média: a cidade tem 13 leitos de UTI para pacientes com Covid-19, dos quais 12 estavam em uso (92,3%). Com o recrudescimento da pandemia, Ribeirão Preto anunciou a suspensão a partir desta terça-feira (16) de atendimentos nas unidades de saúde da cidade. Apenas serão mantidos atendimentos para puericultura, pré-natal, pacientes com comorbidades, doenças crônicas descompensadas e pessoas com sintomas de problemas respiratórios. Coletas de exames laboratoriais de rotina, agendamento de consultas por meio de um aplicativo e atendimentos a grupos de pacientes também foram suspensos.