A leitura no combate ao bullying: especialistas falam como livros podem ajudar as crianças

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De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é duas vezes mais suscetível ao bullying em instituições de ensino do que a média geral de 48 países avaliados. Pensando nisso, a escritora Anete Lacerda escreveu o livro infantil “E se fosse você?”, da editora Colli Books. Ela mesma enfrentou o bullying na infância por conta do sobrepeso. Hoje, defende que a leitura é uma arma contra a violência:

— Minha filha já é adulta, mas até hoje quando deixo a torneira aberta um tempo maior que o necessário ela diz: “vai acabar com a água do planeta?”. E ela aprendeu isso aos três ou quatro anos. Então a leitura é fundamental para a inclusão e a cidadania desde muito cedo porque apresenta outras realidades e outros cenários que fazem a criança amadurecer. O hábito de ler deve ser para sempre.

Para a educadora parental Monica Pitanga, os livros são muito importantes na prevenção do bullying:

— São um recurso terapêutico que nos ajuda a trabalhar valores importantes com as crianças. De uma forma lúdica, as histórias acessam lugares no imaginário infantil e, com isso, fica mais fácil e leve abordar temas como respeito , autoestima, empatia, raiva, medo, confiança, bullying.

Muitas crianças e adolescentes passam boa parte do dia na escola, o que torna esse ambiente propício às boas e más experiências. Por isso, os pais devem ficar atentos aos sinais que as crianças dão. Comportamentos estranhos, violentos ou atípicos devem ser observados.

— Se os pais criam desde cedo o hábito da leitura e fortalecem a autoestima dos seus filhos através de carinho, conhecimento e informação, o trabalho dos educadores é facilitado — diz Anete: — O que vai determinar se a escola será traumática ou prazerosa para as crianças que estão fora dos padrões estéticos e sociais é a cultura de respeito às diferenças. Por isso é importante abordar temas como bullying, racismo e gordofobia com os pequenos.

O livro “E se fosse você?” é sobre uma menina que sofria bullying na escola, uma história que pode gerar identificação entre muitas crianças.

— O livro tem esse poder de agregar conhecimento e valores. A criança leitora não vai ver como natural o desrespeito — explica Anete.

A jornalista Anna Luiza Guimarães é responsável pela livraria Biblioteca Amarela, especializada em livros que envolvem afetos. Ela cita o livro “Menino Baleia” (editora Mil Caramiolas), das autoras Lulu Lima e Natália Gregorini, que fala sobre autismo:

— Na história, Roger tem uma baleia dentro dele. De forma lúdica, ela abora a realidade de uma criança com autismo e sua maneira de se relacionar com colegas na escola. Poder contar essa história através do olhar dele é convidar outras crianças, e adultos também, a pensar sobre a importância de olhar o outro em todas as suas potências, e não apenas naquilo que nos causa estranhamento.

Para Anna, uma boa literatura para crianças, “antes de qualquer coisa”, tem que contar uma boa história:

— Às vezes é só para a gente rir com a criança, mas muitas vezes a literatura trata de empatia, de espelho e elaboração de sentimentos que as crianças ainda não sabem nomear e identificar. Por isso, os livros são tão potentes para abrir diálogos sobre situações que as crianças vivem e sobre as quais se calam. As crianças precisam ser banhadas de linguagem.

*Colaborou Cristine Gerk

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