Leme: o quente do verão. Novidades, bares concorridos e praia que caiu no gosto carioca

Bruno Calixto
Leme, o quente de verão

Com pouco mais de um quilômetro de extensão, a faixa de areia que vai da Av. Princesa Isabel até a Pedra do Leme tem dado o que falar. Dizer que este verão, que começa no domingo, será o verão do Leme talvez seja exagero. Mas há certo fundamento. Afinal, cada vez mais gente parece “descobrir” aquele trecho da orla. Entre estes novos habitués, está uma turma descolada, que antes ia à praia em Ipanema e hoje dá pinta por ali. Mas as novidades não estão só na areia. No calçadão, há novos quiosques, com festas e DJs. Nas ruas, bares concorridos, restaurantes idem. Uma tendência que começa à beira-mar.

— Eu frequentava o Arpoador, mas, como me mudei para Botafogo, voltei a ir no Leme. O Posto 1 recebeu gente egressa do Arpoador e do Coqueirão. São várias tribos em um mesmo local — diz o DJ Saddam, que prefere ir nos dias de semana. — Como virou point, tem ficado lotado nos finais de semana. A concentração maior é em frente à barraca do Rasta. De hipsters tocando ukulele, gatinhas saradas da academia, a turma que joga altinho, lutadores, gays, galera do rap, todo mundo em paz.

O designer Marcus Wagner, tradicional fã de carteirinha do Arpoador, também vai à barraca Rasta Beach, de vez em quando.

— Na areia, o barraqueiro sempre é uma referência de grupo. Praia é ponto de encontro, tenho muitos amigos que passaram a ir ao Leme. Então, às vezes vou de manhã ou de tarde lá, mas, no pôr do sol, vou sempre para o Arpoador — explica. — De tempos em tempos, os endereços criam personalidade. O Leme está atraindo um banhista com perfil mais liberal nos costumes, na linha do antigo Píer e Arpoador. Ali tem algumas características semelhantes ao Arpoador, é um espaço socialmente miscigenado por conta da proximidade entre o Morro da Babilônia e a Atlântica.

O chef belga Frédéric de Maeyer é outro entusiasta do local e não só abriu um negócio no bairro como se mudou para lá:

— O Leme deixou de ser aperitivo para se tornar o prato principal.

Também morador do bairro, o artista plástico Ernesto Neto conhece o Leme de cima a baixo, do Morro do Chapéu Mangueira, onde fica o Bar do David (veja mais na coluna Pé-Sujo), ao mar. Não tem ponto fixo na área, vai à barraca do Marcelinho, à do Rasta, no canto, “em frente ao prédio azul”...

— Mas atenção: se vier à praia, melhor vir de transporte público, pois de “carroça” não vai ter onde estacionar.

O alerta procede. Antes mesmo de o verão começar, em outubro, a CET-Rio proibiu o estacionamento de carros da pista externa da praia, e deu um nó no trânsito das ruas internas do bairro, que parou. Este fim de semana, estreia um novo esquema para o verão, em que, nos finais de semana, haverá teste de mão dupla na Rua Gustavo Sampaio, no trecho entre a Rua Antônio Vieira e a Rua Anchieta.

Mas afinal, o que é que o Leme tem?

Na areia

É fácil achar a Rasta Beach (97454-3346), a barraca mais badalada do pedaço. Fica perto do Posto 1, e bandeiras rastafári, listradas de verde, amarelo e vermelho, indicam o mapa da mina. Há cinco anos comandada pelos irmãos Andrey e Derik Machado, tem mais de sete mil seguidores em sua página do Instagram, drinques com frozen de gim tônica (R$ 30) e, volta e meia, showzinho de voz e violão no fim da tarde, tocando MPB e reggae, claro. A programação é divulgada no Facebook.

— Se tiver sol, segunda-feira tem o mesmo movimento do fim de semana — diz Andrey.

Mas, se a vontade for de matar a sede com mate, tente achar o Robson, que circula por ali. O que ele tem de especial? Seus galões são divididos ao meio, então, além dos tradicionais mate e limonada, tem mate sem açúcar e refresco de maracujá — as misturas ficam ótimas.

No calçadão

Para curtir o visual da orla de camarote, a pedida é ir ao Caminho dos Pescadores, que margeia a encosta da Pedra do Leme. Justamente por causa da vista, o quiosque dali fica bem movimentado. Novo em folha para o verão, o Mureta acaba de abrir no lugar do antigo Espetto Carioca e, para a estação, aposta na happy hour animada por música ao vivo (pop rock e samba em dias alternados) e DJs de quinta a domingo, quando fica mais cheio, com cerca de 150 pessoas. Ali, depois que o sol se põe, frequentadores de chinelo e roupa de banho se misturam a outros mais arrumadinhos, vestidos para a night. Nas mãos, drinques como Aperol spritz (R$ 25). Para comer, de empanadas (R$ 10) a prancha de peixes com frutos do mar (R$ 139, para até quatro pessoas).

Descendo para o calçadão, vale procurar pelo Gávea Beach Club, especialmente se for de noite. É quando o quiosque abre seu subsolo ao público, a Taverna del Mar. Inaugurado este mês, o salão subterrâneo tem 60 lugares, ar-condicionado tinindo e presuntos espanhóis pendurados, dando uma cara de charcutaria ao lugar. O cardápio mistura comida italiana com espanhola (de risoto a presunto ibérico) e a carta tem 260 rótulos de vinho, servidos em pichet (1/2 litro; R$ 32) ou garrafa (a partir de R$ 65).

— Tem um clima meio kitsch, com parede de azulejos com imagens de comida pintadas, chão de cimento batido e patas de jamón no balcão — diz a frequentadora Beatriz Guillier.

Em quintas-feiras alternadas, tem show de jazz com Chico Batera e convidados (quem pedir prato principal não paga o couvert, R$ 30). No andar de cima, à beira-mar, o cardápio é o mesmo. O quiosque, aliás, andava fechado durante o dia, mas no verão promete voltar a abrir.

Mais adiante, quase na divisa com Copacabana, fica a versão praiana do Aconchego Carioca, que completa um ano de funcionamento na segunda-feira e segue servindo o hit da casa, o bolinho de feijoada (R$ 31,90, quatro). Se a fome for maior, tem baião de dois (R$ 94, para dividir). Para beber, Original (R$ 15) e drinques com gim tônica (R$ 25).

— Chegar ao Leme foi uma grata surpresa. As pessoas se conhecem, a vizinhança é amiga — diz a chef Kátia Barbosa.

Aconchego Carioca: Av. Atlântica s/nº — 98106-3581. Seg, das 10h às 18h. Ter a dom, das 10h às 22h.

Taverna del Mar/Gávea Beach Club: Quiosques 9 e 10 — 99322-1551. Diariamente, a partir das 17h (quiosque) e 19h (Taverna).

Mureta: Caminho dos Pescadores — 3514-2111. Diariamente, das 9h à 1h.

Abertura da cobertura do Hilton aumenta leque de atrações

Nos bares e restaurantes

Batizado como Salomé (nome de uma das sócias, francesa), o bistrô na Atlântica que abriu em 2018 mudou de nome em março deste ano (por questões legais, pois o anterior estava registrado) e agora é S. Bistrô. Mas todo mundo continua chamando de Salomé mesmo. Dos donos do bar Canastra, em Ipanema, é decorado com peças de antiquário, tem louças antigas, luminárias, espelhos, muitas plantas e toca música francesa nas caixas de som. O menu também tem influência francesa, preços atraentes e vinho em taça (de R$ 15 a R$ 20). Entre as opções, steak tartar com fritas (R$ 28) e polvo grelhado com alho confitado (R$ 68). A partir da semana que vem, toda quarta-feira, durante a happy hour (das 18h30 às 21h), quem pagar R$ 25 leva dois drinques — o preço médio é R$ 20.

Não muito longe dali, no primeiro quarteirão da Gustavo Sampaio, tem outro espaço de sotaque francês. Ou melhor, belga. É a Frédéric Epicerie, de Frédéric de Maeyer, que, depois de passar por cozinhas de prestígio no Rio, abriu seu primeiro negócio no Leme, este ano. Por ali, tem especial do dia, banca de orgânicos, balcão de doces (tartelettes, éclairs, chocolates e trufas), mesinhas na varanda e cesta de pães de fermentação natural. Entre as opções, menu executivo (R$ 78) e à la carte (todos os pratos custam R$ 58). O clássico moules-frites e a fraldinha assada por sete horas com molho de cogumelos e gratin dauphinois são os hits. Para acompanhar, vinho em taça (R$ 25).

Do outro lado da rua, quase em frente, na esquina com o trecho da Rua Antônio Viera que é fechado ao trânsito, o Leme Light é uma boa pedida para o pós-praia. Nas vitrines do balcão, pizzas em fatia (R$ 15). Pelas mesinhas na calçada, chope bem gelado (R$ 8) e, quando a fome aperta, PF (R$ 25) com arroz, feijão, farofa e carne assada.

Se a fome for por algo mais light, ali perto está o Sushi AkyRio, que mistura a tradição japonesa com a cozinha fusion. Há seis anos no ponto, o japinha acaba de lançar um rodízio (R$ 98), com alguns itens do menu à la carte, a exemplo do camarão empanado à base de salmão e teriyaki e lula crocante na farinha panko. Este fim de semana estreia a nova carta de vinhos: entre as opções, todas a R$ 32, gim tônica com chá de hortelã, limão-siciliano e amoras.

Outra aquisição relativamente recente (fez dois anos em novembro), a filial do Belmonte que ocupa o local onde funcionava o Sindicato do Chopp tem 300 lugares e é uma boa pedida para grupos grandes. Oferece empadas abertas para abrir os trabalhos e o menu farto da rede, de pratos executivos e picanha (R$ 149) para dividir.

O bairro também tem tradição à mesa. Dia 24 faz 20 anos que o trio de maîtres Antônio Salustiano (morto este ano), Cândido Alves e Valmir Pereira fundaram o D’Amici, que logo se tornou referência em serviço e em cozinha italiana, sobretudo no preparo de pescados, entre eles a salada de frutos do mar (R$ 84). Outro italiano veterano é o Da Brambini, aberto há 28 anos e que está de cara nova há oito meses. Ganhou uma varanda climatizada e nova decoração, com plantas, luzes e flores. No cardápio, massas artesanais, pescados e carnes como o ossobuco di vitella (R$ 90), um hit. E tem também o restaurante La Fiorentina, clássico do bairro aberto em 1957, cujas pilastras cheias de autógrafos dão a pista de que o local já foi reduto de artistas e intelectuais em longas madrugadas. Já teve dias melhores, mas ainda conserva algum charme e pratos com nome de clientes famosos. Mas, em caso de tradição, antiguidade é posto. E este ninguém tira do Shirley, há 65 com um balcão de peixes e frutos do mar, muitas histórias pra contar e clássicos da cozinha espanhola, como paella (R$ 135).

D’Amici: Rua Antônio Vieira 18, Leme — 2541-4477.

Belmonte: Av. Atlântica 514 (2295-9972). Dom a sex, das 11h à meia-noite. Sáb, das 11h à 1h.

Da Brambini: Av. Atlântica 514 (2275-4346).

Frédéric Epicerie: Rua Gustavo Sampaio 802 ( 2146-9691).

La Fiorentina: Av. Atlântica 458 (2543-8395).

Leme Light: Rua Gustavo Sampaio 795 ( 2275-5498).

S. Bistrô: Av. Atlântica 994 (3900-8898).

Shirley: Rua Gustavo Sampaio 610 ( 2275-1398).

AkyRio: Rua Gustavo Sampaio 831 ( 2244-8129).

Na caixa de som

Na esquina da Gustavo Sampaio com a Aurelino Leal, o Gaia Arte & Café foi reformado há poucas semanas e ganhou mais 20 lugares. Com isso, aumentaram as atrações. Agora, além dos shows de jazz às quartas e quintas, com o Massatrio, tem choro no domingo à tarde.

O espaço também funciona durante o dia, com café da manhã e almoço. A proposta é comida saudável, desde feijoada vegana (R$ 42) até vinhos orgânicos. O carro-chefe é o baião de dois, com feijão-fradinho, purê de abóbora com manga, queijo coalho, taioba e banana-da-terra (R$ 40). Para petiscar, croquete de provolone com inhame (R$ 26, dez).

Outro agito depois que o sol se põe é o do porão do Mundeco. No andar de cima, um bar como outro pé-limpo qualquer: balcão bem decorado e mesas na calçada. Embaixo, uma agenda regada a stand-up comedy e karaokê. O cardápio da chef Juliana Reis é descomplicado: pizzas de massa fininha (R$ 40) e hambúrgueres artesanais (R$ 25). Para brindar, drinques como gim com infusão de cardamomo, maçã e gengibre (R$ 28).

Gaia Arte & Café: Rua Gustavo Sampaio 323 — 2244-3306. Ter a sáb, das 9h às 22h. Dom, das 9h às 19h. Qua e qui, a partir das 20h (jazz). Dom, das 13h às 16h (choro). Sem couvert. Livre.

Mundeco: Av. Nossa Senhora de Copacabana 22 — 2051-1910. Stand-up comedy: ter e dom, às 20h; R$ 20 (couvert opcional). Karaokê: qui, às 21h; grátis. 18 anos.

No alto

A partir de janeiro, a cobertura no 39º andar do Hilton (sempre lembrado como o ex-Méridien) terá festas ao pôr do sol nos finais de semana, com DJs e carta de drinques de Alex Mesquita (todos a R$ 36).

Mas não é preciso esperar até janeiro para ver o bairro do alto. Do Forte do Leme, o visual é ainda mais bonito. Dá para ver Pão de Açúcar de outro ângulo, o Cristo, Niterói, Copacabana. O acesso é por uma estradinha com 800 metros, em meio à mata.

Forte do Leme: Acesso pela Praça Almirante Júlio de Noronha s/nº — 3223-5076. Ter a dom, das 9h30 às 16h30. R$ 4 (na terça, é grátis).

Hilton: Av. Atlântica 1.020 — 3501-8000. A partir de janeiro.