Leona Cavalli diz que riam de seu sonho de ser atriz

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.06.2021: F5 - LEONA CAVALLI - Leona Cavalli, 51, atriz, no patio do prédio onde ela mora em Santa Cecília, São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.06.2021: F5 - LEONA CAVALLI - Leona Cavalli, 51, atriz, no patio do prédio onde ela mora em Santa Cecília, São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Novela na Globo e na Record, série na Fox e na Multishow, além de peça de teatro e livro em andamento. Leona Cavalli, 51, entrou de cabeça na nova realidade da dramaturgia, que não prioriza mais longos contratos e fidelidades. "Trabalhar em vários canais é um caminho natural no momento", diz.

A atriz acumula em seu currículo 12 novelas, 15 filmes e 20 peças de teatro, e pode ser vista hoje na reprise de "A Vida da Gente" (Globo, 2015), de Licia Manzo e Marcos Bernstein. Ela dá vida à pediatra Celina, que deseja muito a maternidade, adiada devido ao marido, Lorenço (Leonardo Medeiros).

Leona admite que é esquisito se ver na novela, mas também bom, para avaliar as cenas e como elas foram feitas. "Pessoas que não viram [a novela] na época escrevem dizendo que estão assistindo e gostando bastante porque agora todo mundo está mais em casa [com a pandemia de Covid]", afirma.

"A Vida da Gente" não é o primeiro trabalho que Cavalli revisita por causa da pandemia. Ela estava no elenco de "Totalmente Demais" (Globo, 2017-2018), de Rosane Svartman e Paulo Halm, já reapresentada na faixa das 19h. "Foi muito legal. 'Totalmente Demais' passou faz pouco tempo e agora 'A Vida da Gente'".

Antes da era das reprises, Cavalli fez "Filhos da Terra" (Globo, 2019), escrita por Telma Guedes e Duca Rachid, que conquistou o Emmy Internacional, e a novela bíblica "Apocalipse" (Record, 2017), escrita por Vivian Oliveira. Seu último trabalho na Globo e o primeiro religioso, respectivamente.

Como não tem contrato com nenhuma emissora, a atriz afirma pode fazer trabalhos diversificados por obra e em diferentes emissoras. Antes de "Apocalipse", esteve na série "A Secretária do Presidente", do Multishow, e mais recentemente em outra que contará a história de Silvio Santos, produzida, mas ainda não veiculada pela Fox, hoje chamada Starz.

Nascida em Rosário do Sul, cidade pequena do interior do Rio Grande do Sul, "que praticamente não tinha nem teatro", Cavalli conta que as pessoas costumavam rir sempre que ela falava que queria ser atriz. Seu pai, político e advogado, também achava a ideia um absurdo, queria que a filha seguisse seus passos no direito.

Leona, no entanto, começou cedo, tendo feito sua primeira peça de teatro aos seis anos. "Nunca quis ser outra coisa na vida. Só cogitei no meu longínquo pensamento ser astronauta, mas na época era impossível", brinca a atriz, que teve ainda mais certeza de seu caminho na adolescência, em uma viagem a Londres.

Ela conta que, quando completou 15 anos, abriu mão do tradicional baile de debutante pela viagem. A primeira coisa que fez quando chegou na Inglaterra foi ir ao teatro, ver ao espetáculo "Motim". Ela então ligou para o pai e disse que não voltaria mais para casa, porque queria ser atriz e iria procurar emprego.

"Eu falei isso, desliguei e fui procurar emprego, só que eu não consegui e acabou o dinheiro. Liguei para ele [o pai] e falei: 'eu só volto para o Brasil se for para ser atriz'". Num primeiro momento, ela até tentou conciliar as faculdades de artes cênicas e direito, mas acabou concluindo apenas a primeira, antes de se mudar para São Paulo e iniciar seu sonho.

PROJETOS E MAIS PROJETOS

Hoje, com carreira consolidada, Leona Cavalli acumula projetos na telinha e também fora dela. Um de seus mais recentes trabalhos é o filme "Águas Selvagens", do diretor Roly Santos, uma coprodução Brasil-Argentina, que trata do tráfico humano. Ela faz uma mãe que tem o filho levado por criminosos.

"É um tema muito forte, que pouco se fala, mas infelizmente é muito presente. Ficamos chocados de ver como isso é real", afirma ela, que espera o lançamento para depois da pandemia, assim como a finalização do longa "A Cerca", que tem direção de Rogério Gomes, o Papinha, e também tem Cavalli no elenco.

Segundo a atriz, o filme teve que ser interrompido quando faltavam apenas três cenas essenciais para serem gravadas. "Estava tudo marcado e na semana que ia ser rodado, três dias antes, fechou tudo [devido à pandemia]. Assim que der, a gente vai terminar", afirma ela, que dá vida a uma jornalista que, durante uma reportagem, se depara com mistérios sobre sua própria origem.

Já nos palcos, a atriz ensaia duas peças online. Uma delas é "Elogio à Loucura", baseada na obra de Erasmo de Roterdã, que foi apresentada no palco virtual do projeto Em Casa Com Sesc, no ano passado. O outro espetáculo é uma homenagem aos cem anos da atriz brasileira Cacilda Becker.

"Esse ano é centenário do nascimento dela, é uma pena não ter teatro aberto. A gente pretende fazer [apresentação da peça] no teatro ao vivo assim que for possível", afirma Cavalli, que fez a personagem da atriz há alguns anos em uma peça do dramaturgo José Celso Martinez, do Teatro Oficina.

A artista também está aproveitando a quarentena para escrever mais um livro sobre interpretação. Ela já tem um publicado, "O Caminho das Pedras" (2011), que fala do processo criativo e das dificuldades no ofício de ator. Ela mantém ainda o canal Leona Cavalli em rede, no YouTube e no Instagram, para refletir sobre a profissão.

Em 2019, ela lançou eu primeiro livro infantil, "Belabelinha", que conta a história de uma boneca que sonha ser humana para ter um coração e amar. "Ela vem para a terra para viver a experiência como gente e é recebida pelos seres encantados da floresta. É a história dela aprendendo a ser gente", explica Cavalli.

A atriz visitou vários hospitais antes da pandemia para contar a história da bonequinha para crianças internadas. Mas as visitas a alas infantis de hospitais começaram antes disso, quando ela esteve nas unidades de saúde para se preparar para a interpretar a pediatra na novela "A Vida da Gente".

"Eu falei que tinha a personagem [da bonequinha], me convidaram e eu fui várias vezes a hospitais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os personagens médicos que eu fiz intensificaram isso. Agora faz tempo que não faço [visitas], mas eu escrevi o livro da personagem".

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