Lescano sobe e lidera preferências para presidenciais no Peru

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Yonhy Lescano, candidato peruano à presidência do Partido Ação Popular, fala no Congresso em Lima, em 3 de abril de 2019

O candidato de centro-direita Yonhy Lescano se distanciou de seus rivais e lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais peruanas de 11 de abril, seguido pelo ex-jogador de futebol George Forsyth, segundo uma pesquisa divulgada neste domingo (14).

Lescano, do partido Ação Popular, tem 15% das intenções de voto, cinco pontos percentuais a mais que em fevereiro, enquanto Forsyth, do também centro-direitista partido Vitória Nacional, caiu um ponto para 10%, detalhou uma pesquisa do Ipsos publicada no jornal El Comercio.

“Lescano está subindo. Ele começou no sul, mas aos poucos sua campanha alcançou mais gente. Mas ele mantém uma imagem de certa novidade”, explicou o presidente do Ipsos, Alfredo Torres, à edição digital do jornal El Comercio, antes de afirmar que, a 30 dias das eleições, "nada está decidido".

O advogado e ex-deputado, de 61 anos, tinha 10% das intenções de voto há um mês, segundo uma pesquisa do Ipsos de 14 de fevereiro, que deu então a Forsyth 11%.

Lescano pertence ao partido Ação Popular, do venerado ex-presidente Fernando Belaúnde Terry (1963-1968 e 1980-1985), mas também do repudiado Manuel Merino, que durou menos de uma semana no poder após a destituição de Martín Vizcarra em novembro.

Foi legislador de 2001 a 2019, primeiro representando Puno, a região do Lago Titicaca na fronteira com a Bolívia, e depois por Lima desde 2011.

Já Forsyth, de 38 anos, cimentou sua popularidade como goleiro do popular clube Alianza Lima, o que lhe permitiu ser eleito prefeito do distrito de La Victoria em 2018.

“O Peru está percebendo que precisamos de uma mudança. Os peruanos têm apenas dois caminhos: os políticos de sempre ou dar ao país a oportunidade de uma mudança real”, declarou Forsyth em um comunicado de seu partido.

- Extrema direita em ascensão -

Segundo a mesma pesquisa, Rafael López Aliaga, do partido de extrema direita Renovação Popular, aparece em terceiro lugar com 8% das intenções de voto, seguido por Keiko Fujimori (direita populista), da Força Popular (7%), e pela esquerdista Verónika Mendoza, do Juntos pelo Peru (6%).

"López Aliaga é visto como extremista demais, Fujimori tem muita rejeição, Mendoza também. O candidato que está mais no centro é Forsyth. Um segundo turno entre Lescano e Forsyth é mais difícil de prever", acrescentou Torres.

López Aliaga, um empresário de 60 anos, celibatário e seguidor do Opus Dei, vem crescendo nas pesquisas, depois de aparecer com 3% das intenções de votos em fevereiro.

López Aliaga prometeu expulsar do país a construtora brasileira Odebrecht, eixo de um escândalo de corrupção que envolveu Keiko Fujimori e inúmeros políticos e atingiu até quatro ex-presidentes.

Com 18 candidatos em disputa na campanha mais disputada em duas décadas, neste momento o mais provável é que a eleição seja definida em um segundo turno, agendado para 6 de junho, entre os dois candidatos mais votados do primeiro turno.

No Peru, um segundo turno é necessário caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos.

A pesquisa do Ipsos foi realizada de 10 a 11 de março com 1.200 pessoas em todo o país, com uma margem de erro de 2,8%.

A campanha eleitoral é marcada pela apatia da população e pela ausência de comícios por conta das medidas de restrição diante da pandemia. Lima e outras regiões apresentam alto índice de contágio do vírus.

Em 11 de abril, 25 milhões de eleitores terão de ir às urnas para eleger um presidente e renovar o Congresso unicameral de 130 assentos. O voto é obrigatório no Peru.

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