Letícia Lima credita aptidão para o humor à morte do irmão: 'Tentava alegrar a família com palhaçada'

Marcelle Carvalho
'Eu até atribuo a minha aptidão para o humor a essa fase, porque foi uma época tão triste ao meu redor... '

Há quase 30 anos, Letícia Lima ocupa a posição de filha única de dona Filomena. Mas nem sempre foi assim. Se uma doença não tivesse cruzado a vida familiar da intérprete de Estela, de "Amor de mãe",  hoje, ela teria a companhia do irmão mais velho. A atriz conta que ele morreu aos 7 anos, e diz que “sabe bem o que é ter essa figura e perdê-la”.

— Tinha 6 anos quando ele se foi. É um pedaço da gente que morre, difícil, ainda mais por ter sido de uma hora pra outra, com uma doença feito a meningite. De repente, aconteceu... Eu não era filha única, não tinha esse tratamento. Precisou que toda a família e o convívio social, a escola, os amigos se adaptassem com a minha nova situação. Por muitos anos me olhavam assim: “Tadinha, ficou sozinha”, numa tentativa até de me mimar. Depois veio: “Vida que segue, vamos encarar como se sempre tivesse sido assim” — lembra Letícia, que já tem essa questão bem resolvida, assim como a sua visão sobre a morte: — Por conta de ter lidado muito cedo com ela, eu tenho uma relação muito boa com a morte. Entendo esse momento da passagem da pessoa, a dor para quem fica... Esse assunto não é uma coisa que me aterroriza. Consegui resolver isso bem desde a minha infância.

 

Pode parecer um paradoxo, mas a atriz credita seu lado engraçado à perda do irmão:

— Eu até atribuo a minha aptidão para o humor a essa fase, porque foi uma época tão triste ao meu redor... Tentava alegrar a família fazendo palhaçada, brincadeiras, apresentações... Descobri esse talento para sair desse lugar de tristeza. Esse período de botar todo mundo pra cima foi dos 6 anos até a pré-adolescência. E toda essa situação me fez crescer na marra.