Letalidade do coronavírus em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, passa de 14,5%

Felipe Grinberg
No calçadão de Campo Grande, movimento de pedestres, que nem sempre usam máscara

Apesar de, desde terça-feira, liderar o número de óbitos registrados no município do Rio, Campo Grande, na Zona Oeste, é apenas o terceiro bairro no ranking de casos confirmados e tem 30% menos de pessoas infectadas que Copacabana, bairro com mais infectados pelo coronavírus. Isso se reflete na alta taxa de letalidade da Covid-19 em Campo Grande, que ultrapassa os 14,5%, enquanto em toda a cidade a média é de 9%.

Os bairros vizinhos também são os que o coronavírus mais mata em relação ao número de contaminados. Para cada cinco pessoas doentes em Bangu, Realengo e Santa Cruz, há uma morte. Bangu, por exemplo, tem menos da metade dos casos de Copacabana e apenas um óbito a menos que o bairro da Zona Sul.

Segundo o boletim divulgado pela Secretaria estadual de Saúde ontem, o estado odo Rio já registra 1.123 mortes desde o início da pandemia e 12.391 casos confirmados de Covid-19. Nas últimas 24 horas, foram confirmadas 670 pessoas infectadas e 58 novas mortes. A secretaria ainda investiga outros 361 óbitos.

A capital continua sendo o epicentro da pandemia no estado. Na cidade do Rio já foram confirmadas 713 mortes pelo coronavírus e 7.832 pessoas infectadas. Nas últimas 24 horas, foram 549 novos casos e 43 óbitos. E, pela primeira vez desde o início da pandemia, Campo Grande, na Zona Oeste, se tornou o bairro com maior número de mortes. A região é a que mais preocupa as autoridades, devido ao desrespeito às medidas de distanciamento social impostas pelos governos do estado e do município. O prefeito Marcelo Crivella já afirmou que estuda fechar algumas vias para evitar aglomerações. Ontem ele reafirmou que não vê a necessidade de impor o lockdown (bloqueio total) em áreas críticas da cidade, mas que “se for preciso, fará”.

A curva de novos casos está praticamente igual à prevista em estudo da UFRJ. Pela projeção, a cidade pode atingir 10.117 casos na próxima semana.

Crivella afirmou que hoje chegarão ao Rio mais 20 respiradores e 40 monitores para os hospitais Ronaldo Gazolla e Hospital de Campanha, no Riocentro.

Os equipamentos vão aliviar um pouco a fila de espera por um leito de UTI. No estado há 401 pacientes com Covid-19 ou suspeita a espera de um respirador. Na cidade do Rio, só há 6% das vagas para terapia intensiva e 8% em quarto de enfermaria, segundo a prefeitura.

— No domingo e na segunda-feira (dias 10 e 11), chegam da China mais 300 respiradores, 400 monitores e outros equipamentos. Chegam ainda milhões de máscaras e equipamentos de proteção individual — disse o prefeito.

 

Taxa de letalidade nos bairros com mais mortes:

 

Campo Grande - 14,5%

Copacabana - 10%

Bangu - 20,5%

Realengo - 19,2%

Tijuca - 11,5%

Santa Cruz - 23,8%

Barra da Tijuca - 6,5%

 

Bairros com mais mortes:

 

Campo Grande (38)

Copacabana (37)

Bangu (36)

Realengo (27)

Tijuca (26)

Santa Cruz (25)

Barra da Tijuca (22)

 

Os bairros com mais casos confirmados:

 

Copacabana (366)

Barra da Tijuca (338)

Campo Grande (259)

Tijuca (225)

Botafogo (191)

Bangu (175)

Leblon (157)

Ipanema (141)

Realengo (140)

Jacarepaguá (130)