Levy Fidelix faz discurso homofóbico em debate na TV Record

Renato Machado
Levy Fidelix durante debate da TV Bandeirantes, no dia 26 de agosto

O debate dos presidenciáveis deste domingo (28), realizado pela TV Record, ficou marcado por uma fala polêmica de Levy Fidelix, do PRTB. Questionado por Luciana Genro (PSOL) sobre a dificuldade em aceitar famílias compostas por pessoas do mesmo sexo, o candidato iniciou um discurso homofóbico que reverberou pelas redes sociais.

Em 90 segundos de fala, Levy Fidelix jogou no lixo o "politicamente correto" que havia adotado em momentos anteriores da campanha e destilou homofobia na TV aberta. Fidelix disse se sentir escorado por ter medo de perder votos e bradou: "Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto".

Se não bastasse, ainda restavam 30 segundos de tréplica. Fidelix aproveitou o tempo para ser preconceituoso mais uma vez: "Vai pra [Avenida] Paulista e anda lá e vê, é feio o negócio". Ao falar dos homossexuais, o candidato chegou a citá-los como "esses que têm esses problemas" e finalizou: "que sejam atendidos no plano psicológico e afetivo mas bem longe da gente, bem longe mesmo, por aqui não dá".

A reação na internet foi imediata. O nome do candidato entrou nos trendig topics do Twitter brasileiro, recebendo críticas duras pelo que havia dito. Ainda na noite do domingo, a página de Levy Fidelix no Wikipedia foi alterada por usuários. Seu nome completo aparecia como "José Levy Fidelix Homofóbico da Cruz". No início da madrugada, no entanto, o perfil voltou ao normal.





Perfil de Levy Fidelix é alterado no Wikipedia. Candidato ganhou o termo Homofóbico em seu sobrenome. (Reprodução/Wikipedia)

Confira, na íntegra, a fala do candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB)

Resposta (90 segundos):

"Jogou pesado agora, hein. Nessa aí você jamais deveria entrar, economia tudo bem. Olha, minha filha, tenho 62 anos, pelo que eu vi na vida dois iguais não fazem filho. E digo mais, desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. É feio dizer isso, mas não podemos jamais, gente, eu que sou um pai de família, um avô, deixar que tenhamos esses que aí estão achacando a gente do dia a dia, querendo escorar essa minoria, à maioria do povo brasileiro. Como é que pode um pai de família, uma avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. E vou acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o Papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano um pedófilo. Está certo. Nós tratamos a vida toda com a religiosidade pra que nossos filhos possam encontrar, realmente, um bom caminho familiar. Então, Luciana, eu lamento muito. Que façam bom proveito se querem fazer e continuar como estão, mas eu, presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está, mas estimular jamais a união homoafetiva".

Réplica (30 segundos):

"Luciana, você já imaginou que o Brasil tem 200 milhões de habitantes. Se começarmos a estimular isso aí daqui a pouquinho vai reduzir pra 100. Vai pra Paulista e anda lá e vê, é feio o negócio, né.Então, gente, vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. vamos enfrentar, não ter medo de dizer que sou pai, mamãe, vovô. E o mais importante é que esses, que têm esses problemas, realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo mas bem longe da gente, bem longe mesmo por aqui não dá".

O Yahoo Brasil repudia qualquer tipo de manifestação preconceituosa contra minorias, bem como discursos de ódio. Dessa forma, a citação acima trata-se apenas de uma reprodução do discurso do candidato à Presidência Levy Fidelix, do PRTB, no debate da TV Record, realizado no dia 28 de setembro de 2014.