De Lewandowski a Pandev: Eurocopa terá seleções de 'estrelas solitárias' em alta

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Por anos, a seleção de Portugal foi tratada como uma equipe de um jogador só. Antes, o astro era Luis Figo. Mais recentemente, o bastão foi passado para Cristiano Ronaldo. Só que esse cenário mudou. Hoje, a geração portuguesa traz convocações com talentos da defesa ao ataque como João Félix, Diogo Jota e Rubéns Dias, que ajudarão na tentativa de defender o título da Eurocopa, que começa na próxima sexta-feira.

O que não muda é que ainda existem seleções que mantêm esse estigma de ser “de um jogador só”. Mas isso não significa que elas devem ser subestimadas.

Antes, é preciso explicar. Nenhuma das seleções citadas é, de fato, individual. A definição está mais ligada às redes sociais, que costumam individualizar feitos e ignorar o lado coletivo. Porém, há casos como o da seleção da Polônia, que tem em Robert Lewandowski — eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo em 2020 — o principal destaque para o torneio. Ao seu redor, porém, são poucos os atletas que conseguem acompanhar o nível técnico e o talento do atleta do Bayern de Munique.

Arkadiusz Milik, do Olympique de Marselha, é um ótimo companheiro de ataque. Piotr Zielinski, do Napoli, foi um dos grandes destaques do Campeonato Italiano. O goleiro Wojciech Szczesny é titular na Juventus e ajuda a montar o elenco de apoio — frase comum e bastante utilizada em ligas como a NBA. Mas é Lewandowski, que quebrou o recorde de gols em uma temporada no Alemão, que concentra os holofotes

O jogador bateu o recorde de Gerd Muller e se tornou o maior artilheiro da Bundesliga em uma temporada, com 41 gols. A Eurocopa pode ajudá-lo a sonhar com o prêmio de melhor do mundo novamente.

— Lewandowski está em forma física incrível, pode jogar no mais alto nível por quatro, cinco anos. Por que não no Bayern? Robert é como um diamante — afirma o presidente do Bayern do Munique, Karl-Heinz Rummenigge. — O futebol mundial tem grandes talentos, como Kylian Mbappé, mas Robert Lewandowski é atualmente o melhor jogador do mundo. Na minha opinião, hoje ele é melhor do que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi— disse.

O feito de Bale

Outra estrela solitária desta Eurocopa é Gareth Bale, do País de Gales. E, mesmo com esse status, quase conseguiu levar a equipe para uma inédita decisão — quando foi o líder na campanha que parou na semifinal da Eurocopa de 2016. Ao seu lado, Aaron Ramsey, do Juventus, e Ben Davies, do Tottenham, se destacam como os principais escudeiros na luta por ir mais longe.

Bale vive uma temporada de recuperação no Tottenham depois de várias turbulências no Real Madrid e deve chegar motivado à Eurocopa antes de um provável retorno ao time espanhol. É o maior artilheiro da seleção, com 33 gols. Inclusive, segundo o jornal espanhol ‘Marca’, estuda se aposentar da seleção galesa após o torneio.

— Obviamente, há muitas coisas sendo escritas sobre se eu vou fazer isso ou aquilo. Para mim, o principal é que eu não quero dizer nada que irá causar mais caos, drama ou distração. Eu quero focar apenas na Euro. Quando a Euro acabar para nós, então eu irei sentar e decidir o que fazer — dise.

Também envolvendo o Real Madrid, Alaba é um dos principais defensores da atualidade e praticamente único destaque da seleção austríaca. Depois de 10 anos, ele deve deixar o Bayern de Munique. Foi anunciado como novo reforço do Real Madrid. Vai para a sua segunda Euro como única esperança de um time com poucos nomes expressivos.

Curiosamente, ver Alaba na Eurocopa será bem diferente de vê-lo no novo clube. Isso porque apesar de atuar como lateral ou zagueiro na Alemanha — o que deve se repetir no Real — ele costuma ser o principal armador na Áustria.

Ídolo da Macedônia do Norte

A Áustria de Alaba está no grupo com Holanda, Ucrânia e Macedônia do Norte, seleção que carrega outro craque “solitário”.

O veterano atacante Goran Pandev tem longa trajetória no futebol italiano. Foi destaque na Lazio, campeão da Liga dos Campeões na Internazionale de Milão de José Mourinho e agora é a referência do Genoa. Mas, aos 37 anos, viverá o momento mais especial da carreira ao levar a Macedônia do Norte pela primeira vez à Euro.

O macedônio tem 37 anos e defende a seleção desde 2001. É o recordista de partidas e gols pelo país. O feito foi confirmado com a vitória sobre a Geórgia, em Tbilisi, na decisão de um dos playoffs de repescagem. E o gol do 1 a 0 foi marcado por ele, o maior jogador da história do país.

Outro atleta que merece destaque é Eriksen, o camisa 10 e principal nome da Dinamarca há alguns anos. Tem duas participações em Copa do Mundo e uma Eurocopa no currículo. Ídolo no Tottenham, ele teve dificuldades para se adaptar à Inter de Milão de Antonio Conte, mas marcou gols decisivos na reta final da campanha que deu o título italiano ao time nerazzurro.

Ao lado do goleiro Kasper Schmeichel, Kasper Dolberg e Yussuf Poulsen — também conhecidos no futebol europeu, mas sem o mesmo brilho — é candidato a surpreender.

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