Lições da crise: é preciso fazer reserva de emergência e diversificar aplicações

Patrícia Valle
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Fabio Rossi

RIO — Em 2020, os investidores viram como é navegar em meio a múltiplas incertezas. Com a queda dos juros, muitos deram seus primeiros passos em ações neste ano, e presenciaram seis circuit breakers (paralisação de negociações na Bolsa). Outros perceberam que não diversificaram as aplicações o suficiente ou que deveriam ter guardado uma reserva de emergência. Para os especialistas, os erros devem servir como lições.

A designer de interiores Rosaura Adiala Rosa, de 66 anos, se viu sem clientes de uma hora para a outra. Um imóvel para complementar a renda ficou vago na crise e passou a gerar custos. Os investimentos foram para o negativo. A saída foi se agarrar à reserva de emergência:

— Tenho investimentos diversificados, como recomendado, mas as coisas não saíram como planejado. Ao menos tinha uma reserva de emergência. Usei e não precisei resgatar aplicações.

Seis a 12 meses

Para Gustavo Cerbasi, educador financeiro e autor de livros sobre o tema, o ano mostrou a importância de equilibrar investimentos:

— Este ano será um dos mais importantes da nossa geração para mostrar que é importante primeiro ter uma reserva de emergência, para depois investir no longo prazo para uma aposentadoria e separar uma terceira parte para planos de médio prazo.

A recomendação geral é contar com seis a 12 meses de gastos mensais em aplicações com liquidez, como Tesouro Selic, CDB ou um fundo DI com taxa de administração próxima de zero. Com juros a 2% ao ano, esses investimentos não são os mais atraentes, mas cumprem o objetivo de reservar recursos para um momento de dificuldade.

— Uma estratégia pode ser deixar de três a seis meses em liquidez diária e o restante em aplicações de baixo risco com o mesmo prazo de vencimento, como LCI/LCA e CDB ou fundo de renda fixa. Se não usar, pode reinvestir — afirma Sandra Blanco, estrategista chefe da Órama.

A tentativa de obter ganhos maiores levou muitos investidores para aplicações de risco sem que elas estivessem de acordo com seu perfil de investimento. O medo e a impaciência levaram muitos a sacarem o dinheiro em renda variável no pior momento e a realizarem prejuízo.

— É preciso entender até que ponto o investidor está apto a conviver com a volatilidade e saber o tempo que o dinheiro pode ficar aplicado. Não adianta ficar olhando o mercado todo dia — afirma Sylvio Fleury, diretor de Relações com o Mercado da Ativa.

Segundo Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e financeira, é preciso entender o que deu errado para não repetir o erro:

— O momento é de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Levar as perdas como aprendizado, porque pandemias e grandes catástrofes não vão deixar de acontecer. Quem não está acostumado, deve investir em riscos via fundos de investimento.

Risco sempre existe

No ano em que até título público do Tesouro Selic chegou a ficar no negativo ou no zero a zero, especialistas reforçam a necessidade de diversificar. Sandra Blanco, da Órama, lembra que a renda fixa é conservadora, mas não significa que não tenha riscos. Quem fica com o papel até o vencimento, porém, não sofreu mudanças.

— Agora em dezembro, reverti as perdas e fiquei no azul. Valeu a pena esperar e manter o dinheiro. Agora é esperar um ano melhor — avalia Rosaura.