As lições de uma sobrevivente do Holocausto para você se libertar de suas prisões mentais

Ruan de Sousa Gabriel
·3 minuto de leitura

“A maior prisão está dentro da sua cabeça e a chave está no seu bolso”. Essa frase, repetida duas vezes pela psicóloga Eva Edith Eger em entrevista ao GLOBO, resume bem as lições que ela apresenta em seu livro “A liberdade é uma escolha”, recém-lançado pela Sextante. Aos 93 anos, a sobrevivente de Auschwitz que foi cortada da equipe de ginástica olímpica húngara por ser judia e obrigada a dançar para Josef Mengele, o “Anjo da Morte” nazista, afirma que todos nós, não importa o nosso passado, podemos nos libertar de nossas prisões mentais.

Em seu livro de estreia, “A bailarina de Auschwitz”, publicado quando ela já tinha completado 90 anos e também editado no Brasil pela Sextante, Eger narrou sua jornada da Hungria para os campos de extermínio nazistas e depois para os Estados Unidos, onde estudou psicologia e passou mais de 40 anos trabalhando com soldados que voltavam para casa com transtorno de estresse pós-traumático. No novo livro, ela dá dicas práticas, inspiradas no que ela aprendeu sobrevivendo em Auschwitz, para todos que querem se libertar das prisões mentais.

Em cada capítulo, ela prescreve exercícios para se libertar de 12 diferentes cárceres mentais. São eles: a prisão da vitimização, da negação, da autonegligência, dos segredos, da culpa e da vergonha, do luto não resolvido, da rigidez, do ressentimento, do medo paralisante, do julgamento, da desesperança e, por fim, a prisão de não perdoar. Confira abaixo algumas das dicas de Eger para alcançar a chave em seu bolso e se libertar de suas prisões mentais:

A prisão da vitimização

“Guie seu antigo eu para o local onde ocorreu a mágoa no passado e repita ‘Eu estou aqui. Vou cuidar de você’.”

A prisão da negação

“Incorpore exercícios diários para verificar os seus sentimentos. Escolha momentos de atividades rotineiras, por exemplo quando estiver sentado à mesa para fazer uma refeição, na filha do caixa do mercado ou escovando os dentes. Inspire profundamente algumas vezes e pergunte-se: ‘O que estou sentindo agora?’”

A prisão da autonegligência

“Reserve tempo para perceber e experimentar a alegria.”

A prisão dos segredos”

“Conte a verdade na presença segura de outras pessoas. Grupos de apoio e programas de doze passos podem ser maravilhosos para compartilhar a sua verdade.”

A prisão da culpa e da vergonha

“Assim que acordar de manhã, vá até o espelho e olhe para si mesmo com olhos gentis e repita: ‘Sou suficiente. Sou gentil. Sou uma pessoa forte.’ Depois, beije as costas de suas mãos. Sorria para si mesmo no espelho. Repita: ‘Amo você.’”

A prisão do luto não resolvido

“Não é útil passar mais tempos com os mortos do que com os vivos. Se alguém que você ama morreu, reserve 30 minutos todos os dias para honrar essa pessoa e sua perda.”

A prisão da rigidez

“Trate os outros como eles são capazes de se tornar.”

A prisão do ressentimento

“Reflita sobre a mensagem de amor que você aprendeu quando criança e que pode estar levando para seus relacionamentos.”

A prisão do medo paralisante

“Para cada um dos medos reais, elabore uma lista de coisas que você poderia fazer hoje em seu próprio benefício para se fortalecer e construir a vida que você quer.”

A prisão do julgamento

“As pessoas mais tóxicas e detestáveis podem ser nossos melhores professores. Na próxima vez em que você estiver na presença de alguém que o irrita e ofende, baixe os olhos e diga para si mesmo: ‘Ele é um ser humano, nem mais, nem menos. Humano como eu.’ Depois, pergunte: ‘O que você tem para me ensinar?’”

A prisão da desesperança

“A próxima vez que você perceber que está usando a linguagem da minimização, da ilusão ou da negação, tente substituir as palavras por: ‘Dói, mas é temporário.’ Lembre-se a si mesmo: ‘Eu sobrevivi à dor antes’”

A prisão de não perdoar

“Perdoe-se.”

Serviço:

“A liberdade é uma escolha”

Autora: Edith Eva Eger. Editora: Sextante. Tradução: Debora Chaves. Páginas: 176. Preço: R$ 36,90.