Lia Clark admite que comportamento de Pocah, do 'BBB21', a fez adiar música com a funkeira

Lucas Bulhões
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Na madrugada desta sexta-feira, dia 16, foi lançada a música "Eu Viciei", da drag queen Lia Clark em parceria com Pocah. Esse é o primeiro projeto musical da funkeira desde sua entrada no "Big Brother Brasil 21", mas deve vir mais coisa por aí, visto que a própria assumiu ter deixado músicas e clipes gravados antes de ir para o reality.

Lia falou sobre o fato de lançar a canção já na reta final do programa.

— A estratégia sempre foi adiar até um momento bacana. As primeiras semanas eram desconfortáveis de assistir, fico feliz que agora tenha se aproximado de pessoas boas. Ela é ótima, mas estava deslocada no jogo — diz Lia Clark, que afirma nunca ter pensado em desistir do lançamento: — Nunca cogitamos não lançar, mesmo que o momento ideal não chegasse. Nós duas acreditamos muito nesta música.

Exaltando as alegrias e a liberdade da solteirice, a faixa traz as duas como donas de um bordel, com direito a coreografia e muita sensualidade, elementos fortes em seus trabalhos anteriores.

A drag queen admite que gostaria de esperar a pandemia passar para que "Eu Viciei" fosse melhor aproveitada, mas precisou aceitar o momento atual, e principalmente, o destaque de sua parceira.

— É uma música de festa, eu só queria lançar quando pudéssemos aglomerar, mas tivemos que nos render ao momento atual do mundo, principalmente ao da Pocah — conta: — Quando descobri que ela iria ao BBB fiquei chocada, eu não sabia. Você tem um trabalho inédito com uma participante de um programa de tanta repercussão... Não sou boba né? — brinca.

Pandemia e parcerias

Esse é o primeiro lançamento de Lia após alguns meses de hiato. Com a pandemia, ela se viu desmotivada e sem saber como trabalhar suas músicas - a maioria mesclando funk e pop. Seu último trabalho foi o clipe da faixa "Nude", lançado em junho do ano passado.

— Foi um momento inesperado para todo mundo. Mesmo agora em 2021, para janeiro tínhamos pensado em uma coisa, fevereiro outra, março já era completamente diferente. Com o isolamento, parei e vi que minha carreira, minha vida financeira e a maneira de realizar o meu trabalho haviam mudado. Por isso optei por lançar um clipe filmado dentro da minha casa, com o orçamento baixo. "Eu Viciei" é meu retorno a grandes produções.

Mas apesar das mudanças, Lia promete continuar promovendo parcerias em seus novos trabalhos. Além de Pocah, já gravou com outros grandes nomes, como Wanessa Camargo, Glória Groove e Tati Quebra Barraco. Ela aproveita o momento para dizer que, apesar da alta rejeição, não descarta uma futura parceria com Karol Conká.

— Eu sou amiga e fã do trabalho dela. Ainda não tivemos contato pós BBB, mas adoraria que gravássemos alguma coisa. Já fizemos muita besteira juntas (risos) — brinca.

Representatividade

A funkeira conta que começou a se montar como drag queen sem grandes intenções, apenas para fugir de sua vida real em Santos, no interior de São Paulo, ainda como Rael. Antes de viver da música, estudava engenharia e trabalhava com comércio interior.

— Comecei a me montar de brincadeira, mas com o tempo passei a gostar. Aprendi a me maquiar como uma válvula de escape da minha vida, como uma realidade paralela. Mas esse lado foi aflorando dentro de mim e eu senti que poderia ser artista, eu nem consigo me ver em cima de um palco sem estar montada.

Apesar de estar conseguindo se manter de seu trabalho, em projetos em conjunto com artistas de destaque, ela acredita que o fato de ser um homem vestido de mulher é um problema para o grande público. Mas reforça que nomes como Pabllo Vittar e Glória Groove estão ajudando a dar luz aos cantores LGBTQIA+.

— Fico feliz por elas, Pabllo e Glória abrem muitas portas. Todas que estão nesse meio [lgbtqia+] poderiam ser maiores se não fosse o preconceito. Tem muita gente talentosa lançando música, se apoiando e com trabalhos lindos, nós só precisamos ser ouvidos. Mas a gente não desiste, uma hora irão ceder e nos permitir explandir nosso trabalho — finaliza.