Libertadores: Flamengo x Palmeiras terá duelo entre crias do Defensor, time que mais revela jogadores ao Uruguai

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Ao traçar as trajetórias dos dois representantes uruguaios que estarão em campo na decisão da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, sábado, as linhas das carreiras de Giorgian de Arrascaeta e Joaquín Piquerez se encontram num ponto comum a muitos outros jogadores de sucesso do futebol local: o Defensor Sporting, também conhecido como “Violeta” por causa da cor do uniforme.

De gerações distintas — a diferença de idade é de quatro anos entre os dois —, eles são os rostos mais recentes de um clube formador, que produz bons jogadores para o Uruguai e alimenta o cenário internacional.

A fama vem de longa data e é fruto de um projeto do clube de Montevidéu, que não tem o mesmo poderio financeiro de Nacional e Peñarol, os mais populares da cidade e do país. O Defensor, porém, se estabeleceu como o clube que mais forma jogadores para a Celeste. Na Copa de 2018, na Rússia, por exemplo, oito atletas tinham passado pelas categorias de base do time do Parque Rodó. Com exceção de Martín Campana, sete deles haviam estreado no profissional pelo Defensor.

Já são 36 anos desde que o clube percebeu que a formação era um investimento, e não um problema. São sete categorias que ajudam a manter a renovação de times e da própria seleção.

— As bases do Defensor têm tido nomes interessantes nos últimos 10 a 15 anos: Martín Silva, Martín Campaña, Martín Cáceres, Maxi Pereira, Álvaro González, Piquerez, Brian Lozano, Leandro Cabrera, Arrascaeta... — enumera o jornalista Nico Musetti, especializado na cobertura do Defensor. Nessa lista ainda podem ser citados Loco Abreu e Darío Silva.

Para 2022, no Qatar, a participação da Celeste está seriamente ameaçada. É possível que Arrascaeta e Piquerez não estejam presentes no próximo Mundial. Porém, ambos poderão continuar desfilando o futebol em solo brasileiro, e pelo menos um ostentará um título continental este ano.

Hoje, aos 27 anos, o meia Arrascaeta é o orgulho máximo do ex-clube. Piquerez, de 23 anos, ainda trilha seu caminho pela lateral esquerda.

Jogador revelação

O camisa 10 da seleção do Uruguai e 14 do Flamengo chega até a ser um caso atípico no futebol uruguaio. Ele fez apenas três temporadas como profissional no Defensor, onde foi campeão do Torneio Clausura de 2013 e eleito jogador revelação pela imprensa uruguaia. O clube chegou a recusar uma oferta do Barcelona assim que o meia surgiu. Mas, em 2015, O Cruzeiro conseguiu tirá-lo de lá, aos 21 anos.

Não demorou para o uruguaio desfilar seu toque de bola em terra brasileira. Porém, a fama de jogador talentoso que some no meio do jogo o perseguiu por um tempo. Até encaixar perfeitamente no time do Flamengo comandado por Jorge Jesus, em 2019. Sua recente ausência por causa de lesão por mais de um mês foi duramente sentida no time.

— As categorias de base do Defensor são as melhores do Uruguai. São conhecidas por isso, pois o clube sempre atraiu muitos e bons jogadores. Todos os clubes do Uruguai têm jogadores formados lá. Dos últimos 10 anos o melhor que surgiu é o Arrascaeta. Foi o melhor e mais habilidoso juvenil que vi no futebol uruguaio. Sua carreira no Brasil o valida e mostra seu talento. Não ter o passaporte europeu é uma diferença para ele neste momento. Nos últimos três anos, é o melhor jogador uruguaio — diz Musetti.

Piquerez seguiu o caminho tradicional dos jovens jogadores no país. Fez a base e estreou no profissional do Defensor há apenas quatro anos. Menos de um ano e meio depois, transferiu-se para o River Plate, do Uruguai, e, em seguida estava no Peñarol a pedido do técnico Diego Forlán. Quando não é o Peñarol, o costume é passar pelo Nacional antes de ganhar o mundo.

Estilo ofensivo

Mas por pouco a carreira do lateral-esquerdo não acabou em terras uruguaias. As poucas oportunidades que teve no profissional do Defensor o fizeram reavaliar o futuro. No primeiro semestre de 2019, atuou em apenas oito partidas e se desestabilizou por causa de problemas pessoais.

— Desde o Defensor, ele já era visto como um jogador muito interessante por causa do porte físico. Mas ele teve poucas chances e foi buscar algo novo no River Plate. Foi lá que se consolidou antes de ir para o Peñarol — afirma Juan Pablo Romero, do jornal “Ovación”.

Há três meses, o jovem nascido em Montevidéu teve a grande oportunidade da carreira. Em agosto foi contratado pelo Palmeiras para substituir o compatriota e colega de seleção Viña, negociado para o futebol italiano.

Não demorou muito para Piquerez cair nas graças do técnico Abel Ferreira, apesar de uma dificuldade inicial em relação à intensidade dos treinos no Brasil. Com um estilo mais ofensivo do que Viña, ele ainda peca na marcação — vide um dos gols da Argentina sobre o Uruguai na vitória por 3 a 0 nas Eliminatórias. Mas foi ele quem iniciou a jogada do gol de Dudu sobre o Atlético-MG, na semifinal da Libertadores.

— Com o passar do tempo, ele foi retrocedendo um pouco no campo de jogo. Ele pode perfeitamente jogar como um volante mais avançado pela esquerda ou mais perto dos pontas. Ele tem uma grande capacidade de se adaptar às funções da equipe com versatilidade. Fisicamente é exuberante, parece que nunca se cansa. Sua projeção ao ataque é muito importante nos times — diz Romero.

De volta para casa, no Centenário, eles decidirão quem vai ser o uruguaio mais lembrados pelos brasileiros em 2021.

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