Libertados os cem turistas retidos por indígenas na Amazônia peruana

Uma centena de turistas estrangeiros e peruanos que eram retidos desde a quinta-feira por indígenas amazônicos em protesto contra um vazamento de petróleo que contaminou um rio peruano foram libertados nesta sexta (4) à tarde, informou o governo.

"Já estão voltando ao seu local de origem. Estamos falando de uma média de 27 turistas internacionais e cerca de 80 passageiros nacionais", anunciou o ministro de Comércio e Turismo, Roberto Sánchez, em declarações à imprensa do Palácio de Governo, em Lima.

O ministro, que também é porta-voz do governo, relatou que o incidente havia chegado ao fim, após um diálogo entre a polícia e líderes indígenas no local dos fatos.

"Estão libertando todos, já passamos quase todas as nossas coisas ao outro barco", confirmou à AFP Angela Ramírez, uma ciclista peruana que estava entre os retidos, por meio do WhatsApp.

A Defensoria do Povo do Peru tinha anunciado mais cedo que chegou a um acordo para a libertação dos turistas, como tinha pedido aos líderes indígenas.

O grupo, que incluía pelo menos vinte cidadãos dos Estados Unidos, Espanha, França, Reino Unido e Suíça, está detido desde as 10h00 locais (12h00 de Brasília) de quinta-feira e está ficando sem suprimentos, disse à AFP Angela Ramírez, que encontra-se a bordo entre os turistas.

"Os serviços do Ministério da Europa e de Assuntos Exteriores em Paris e em Lima acompanham com a maior atenção a situação dos nossos compatriotas e se mobilizam em conjunto com as autoridades peruanas", informou à AFP a chancelaria francesa.

Ramírez detalhou que está com 10 americanos que viajaram para a Amazônia para uma excursão de ciclismo de aventura.

"Emocionalmente, tem de tudo. Muita ansiedade, muito cansaço, ontem estava mais frio, hoje está bastante ensolarado, mas estamos na embarcação e isso nos protege bastante", descreveu Ramírez sobre o estado de ânimo dos turistas.

"Vamos dar as facilidades hoje para que essas pessoas possam voltar aos seus lugares de origem", disse por sua vez o líder nativo Cuninico nesta sexta-feira à emissora estatal TV Perú, sem dar mais detalhes.

O líder indicou que a "medida radical" foi tomada para que o governo enviasse uma delegação para constatar o dano ambiental sofrido pela região após o vazamento de cerca de 2.500 barris de petróleo no rio Cuninico, em 16 de setembro.

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