Líder da bancada evangélica quer diálogo com Lula e culpa Zambelli por derrota

Cezinha de Madureira, da bancada evangélica, já foi procurado por aliados de Lula (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
Cezinha de Madureira, da bancada evangélica, já foi procurado por aliados de Lula (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), um dos principais nomes da bancada evangélica no Congresso, se disse aberto ao diálogo com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao Estadão, ele declarou que já foi procurado por aliados de Lula e está disposto a sentar-se a mesa com o petista – o que não vê como traição a Jair Bolsonaro (PL).

“Traição foi a punhalada que o presidente recebeu nas costas com a deputada correndo na rua com arma na mão, talvez por um deslize mental. Cuidar do povo não é traição”, disse, em entrevista ao Estadão. A referência é à deputada Carla Zambelli que, um dia antes da eleição, no sábado (29), perseguiu um jornalista negro, com uma arma de fogo apontada para ele, após uma discussão política.

Cezinha de Madureira é porta-voz do bispo Samuel Ferreira e é um expoente da Assembleia de Deus, uma das maiores denominações evangélicas no Brasil. O deputado avalia que tanto Carla Zambelli quanto Roberto Jefferson (PTB), que atirou em policiais federais, foram motivadores da derrota de Bolsonaro.

“A Zambelli cometeu a pior bobeira, é gente despreparada. Nossa eleição estava ganha. Para o Tarcísio, nossa previsão era de 16 milhões de votos. Eu digo que Lula não ganhou, nós que perdemos”, afirmou. A estimativa de Cezinha é que os episódios tenham feito Bolsonaro perder 3 milhões de votos, aproximadamente.

Sobre as pautas conservadores, Cezinha de Madureira assegurou que a bancada evangélica não pretende deixar que propostas progressistas passem na Câmara, mas afirmou que os evangélicos não devem votar contra aumento de salário mínimo, por exemplo.

“Bolsonaro terá nosso respeito, admiração e lealdade. Mas não significa que vamos votar contra o aumento de salário, contra o combate à fome”, afirmou ao Estadão. “Com o crescimento da bancada evangélica, óbvio que nenhuma pauta aberrante vai passar, como liberação de drogas e aborto. Mas estamos dispostos a trabalhar para pautas que ajudem o Brasil. Vamos conversar sobre o que for importante para o país.”