Líder do Centrão comandava esquema de rachadinha na Assembleia de Alagoas

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Líder do Centrão, deputado federal Arthur Lira (Foto: Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados)
Líder do Centrão, deputado federal Arthur Lira (Foto: Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados)

Candidato do presidente Jair Bolsonaro para a presidência da Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) é acusado de comandar um esquema milionário de “rachadinha” quando integrou a Assembleia Legislativa de Alagoas, segundo acusação do Ministério Público Federal.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (3) pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso a documentos até então sigilosos. O líder do Centrão movimentou R$ 9,5 milhões em sua conta.

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Lira já foi condenado pelo caso na esfera cível, mas ainda responde na Justiça estadual.

O grupo criminoso incluía na folha de pagamentos funcionários fantasmas e usava empresas de terceiros para simular negociações e empréstimos pessoais como forma de justificar a movimentação financeira nas contas dos parlamentares.

Apontado como líder do esquema, Lira foi indicado na terça pelo PP para disputar a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ), em fevereiro do ano que vem. O presidente da Câmara é quem define os projetos que serão votados e é o segundo na linha sucessória da Presidência da República.

Entre 2001 e 2007, foram desviados R$ 254 milhões dos cofres públicos pelo esquema, como destaca o processo.

De 2003 a 2006, Lira foi primeiro-secretário do Legislativo estadual, uma espécie de “prefeito” que administra os recursos do órgão, razão pela qual cabia a ele liberar o dinheiro. O esquema teve a participação de 12 deputados estaduais.

As investigações da Polícia Federal, em 2007, mostraram que o grupo usou o dinheiro desviado para comprar carros, apartamentos e terrenos.

Em denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, em 2018, a responsabilidade de Lira no esquema é detalhada. Ele foi denunciado por crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro.